EUA e Israel não vencem guerra contra o Irã, avalia Glenn Greenwald
Análise aponta escalada do conflito, falhas na narrativa de vitória e aumento dos riscos no Oriente Médio
247 - A narrativa de que os Estados Unidos saem vitoriosos de seus conflitos militares volta a ser questionada diante da atual guerra envolvendo Irã, Israel e forças norte-americanas. A avaliação é do jornalista Glenn Greenwald, que analisa os desdobramentos recentes do confronto e contesta o discurso oficial de sucesso militar.
Segundo Greenwald, em artigo publicado em sua newsletter no Substack, a ideia de vitória rápida tem sido recorrente na política externa norte-americana, mas historicamente não se concretiza. Ele relembra episódios como Vietnã, Iraque e Afeganistão, em que promessas de triunfos rápidos deram lugar a conflitos prolongados e sem resultados claros.
O jornalista destaca que o mesmo padrão se repete agora no conflito com o Irã. Logo no início das operações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “a guerra está muito completa, praticamente”, acrescentando que o Irã teria perdido capacidades militares essenciais, como marinha, força aérea e sistemas de comunicação.
Apesar dessas declarações, os acontecimentos no campo de batalha indicam um cenário mais complexo. Greenwald aponta que o Irã tem conseguido realizar ataques relevantes contra alvos estratégicos na região, incluindo território israelense. Nos últimos dias, segundo ele, houve intensificação dos lançamentos de mísseis iranianos, enquanto os sistemas de defesa de Israel e de aliados no Golfo demonstram sinais de desgaste.
Relatos recentes também indicam que mísseis iranianos atingiram cidades consideradas estratégicas em Israel, classificadas pelo governo local como eventos com grande número de vítimas. Além disso, o controle do Estreito de Ormuz pelo Irã permanece como um fator crítico, com impacto direto sobre o fluxo global de energia.
A análise de Greenwald converge com avaliações mais amplas sobre o conflito. Reportagens internacionais apontam que a guerra tem provocado instabilidade regional, ataques a infraestruturas energéticas e alta nos preços do petróleo, além de divergências entre aliados sobre os objetivos estratégicos da ofensiva .
Para o jornalista, a tendência do conflito não é de resolução rápida. Ele argumenta que, a menos que haja uma retirada unilateral acompanhada de uma declaração de vitória — algo que ele considera possível, mas improvável —, a guerra tende a se intensificar. “Ela está fazendo exatamente o oposto: escalando, se expandindo e se tornando cada vez mais perigosa”, avalia.
Greenwald também chama atenção para o papel da opinião pública e da imprensa. Segundo ele, há uma predisposição social para acreditar que o próprio país está vencendo, enquanto análises críticas frequentemente geram reações negativas. Ainda assim, ele defende que a função do jornalismo é descrever a realidade dos fatos, independentemente de expectativas ou narrativas oficiais.
O conflito, que já apresenta impactos militares, econômicos e geopolíticos significativos, segue em evolução, sem sinais concretos de desfecho imediato, enquanto cresce a preocupação internacional com uma escalada ainda maior no Oriente Médio.


