Trump sinaliza novo recuo e fala em controlar o Estreito de Ormuz "conjuntamente" com o Irã
Presidente dos Estados Unidos promete “uma mudança de regime muito séria” no Irã e nega diálogo com o novo líder supremo
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Estreito de Ormuz deverá ser reaberto “muito em breve” e indicou a possibilidade de controle conjunto da estratégica rota marítima. A declaração foi dada em meio a negociações diplomáticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, segundo informações divulgadas pela CNN.
Trump disse que a reabertura do estreito dependerá do avanço das conversas com o Irã. “Isso será aberto muito em breve”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Será controlado conjuntamente”. Ele ainda declarou: “Eu e o aiatolá, seja lá quem for o aiatolá, quem quer que seja o próximo aiatolá”.
O presidente norte-americano também mencionou a possibilidade de mudanças políticas internas no Irã após ações militares recentes. “Haverá também uma forma muito séria de mudança de regime”, disse. Trump afirmou que ataques iniciais teriam atingido parte significativa da liderança iraniana e completou: “Há automaticamente uma mudança de regime”.
Apesar do tom duro, Trump sinalizou otimismo em relação às negociações em andamento. Segundo ele, há interlocutores iranianos considerados “muito razoáveis” e “muito sólidos”. “Estamos lidando com pessoas que considero muito razoáveis, muito sólidas”, afirmou, acrescentando que esses nomes são “muito respeitados” dentro do país.
Avanço nas negociações e compromisso nuclear
Trump afirmou que as conversas recentes com representantes iranianos avançaram e já apresentam pontos de convergência. De acordo com ele, existem “pontos importantes de acordo” após reuniões que se estenderam até a noite de domingo (22).
O presidente dos Estados Unidos declarou que foram alcançados 15 pontos de entendimento, embora tenha detalhado apenas um deles: o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares. “Não queremos ver nenhuma bomba nuclear, nenhuma arma nuclear”, disse.
Ele também avaliou positivamente o andamento das tratativas: “Eu diria que foram perfeitas”. Segundo Trump, o próprio Irã teria iniciado o diálogo. “Eles querem muito fazer um acordo. Nós também gostaríamos de fazer um acordo”, afirmou. Mais cedo, o Irã desmentiu qualquer conversa em andamento com autoridades dos Estados Unidos. De acordo com fontes do governo iraniano, Trump recuou diante das ameaças de Teerã de atacar instalações energéticas na região do Golfo.
Trump indicou ainda que novas conversas telefônicas ocorreriam, seguidas por um encontro presencial “muito, muito em breve”. Ele condicionou o fim do conflito ao sucesso dessas negociações, afirmando que, caso avancem, o problema poderá ser substancialmente resolvido.
Trump afirmou que os Estados Unidos mantêm diálogo com uma figura de alto nível dentro do governo iraniano, mas negou qualquer contato com o líder supremo Mojtaba Khamenei. “Não, não com o líder supremo”, afirmou.
Ele mencionou a participação de Steve Witkoff e Jared Kushner nas negociações, mas não identificou o interlocutor iraniano. Segundo Trump, trata-se de uma pessoa “muito respeitada”. Ao comentar a liderança no país, disse ainda: “Não o considero realmente o líder”.
Sanções ao petróleo e impacto limitado no conflito
O presidente norte-americano minimizou o impacto da flexibilização de sanções sobre o petróleo iraniano. Segundo ele, a medida busca ampliar a oferta global de energia e não deve alterar o curso da guerra.
“Eu só quero ter o máximo de petróleo possível no sistema”, afirmou. Trump também disse que eventuais receitas obtidas pelo Irã seriam pouco relevantes no contexto do conflito. “Qualquer pequena quantia de dinheiro que o Irã obtenha não fará diferença nesta guerra”, declarou.
Pressão por mais recursos militares
Mesmo indicando a possibilidade de redução das hostilidades, Trump sinalizou que pretende solicitar até US$ 200 bilhões em financiamento para o Pentágono. “É sempre bom ter — é um mundo muito inflamado”, afirmou.
Críticas internas e saída de aliado
O presidente também comentou a saída de Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, que deixou o cargo em oposição à guerra contra o Irã. Trump procurou minimizar a relação com o ex-assessor.
“Eu senti pena dele, então disse à minha equipe: entrem em contato com ele, deem a ele um cargo na Casa Branca”, afirmou. Em tom crítico, acrescentou: “É esse o agradecimento que recebo”.
Apesar das divergências, Trump descreveu Kent como um “cara legal”, mas reforçou que sua nomeação teria sido motivada por circunstâncias pessoais, incluindo perdas familiares e derrotas eleitorais anteriores.


