‘EUA querem usar PCC e CV para espionagem ilegal contra o Brasil’, diz Altamiro Borges
Em entrevista à TV 247, o jornalista afirmou que o governo Donald Trump já dá sinais de que pretende interferir nas eleições brasileiras
247 - O jornalista Altamiro Borges afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que os Estados Unidos querem usar a designação de Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas para ampliar ações de espionagem contra o Brasil
“Quando deixa de ser organização criminosa e passa a ser terrorista, sai da alçada da Polícia Federal dos EUA, entra para alçada da espionagem dos EUA, da CIA, das Forças Armadas dos EUA. Aí não é acordo de cooperação, é espionagem”, afirmou em análise na TV 247.
O jornalista acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de interferir no processo político brasileiro. O chefe da Casa Branca “já está interferindo nas eleições” brasileiras, continuou Altamiro, ao sugerir que a decisão dos EUA sobre PCC e CV precisa ser analisada em um contexto mais amplo, que envolve pressões externas, movimentações da extrema direita e disputas sobre soberania nacional.
Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
Durante a entrevista, Altamiro Borges comentou a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA na semana passada. De acordo com o jornalista, o parlamentar da extrema direita tentou mudar o foco do debate público em meio às revelações envolvendo o Banco Master e a produção do filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão no inquérito da trama golpista.
Na avaliação de Altamiro, a ofensiva bolsonarista busca escapar das denúncias que ganharam força nas últimas semanas. Ele associou a postura de aliados de Bolsonaro a uma tentativa de subordinação política aos interesses dos Estados Unidos.
“Gangue bolsonarista tentou negar as denúncias, que estão crescendo. Traição à pátria desavergonhada. Serviçais do império. Postura de capacho, de vira-lata, é crime contra a soberania nacional”.
Caso Master entrou no centro da crítica
Ao mencionar Flávio Bolsonaro, Altamiro Borges fez referência à negociação de R$ 134 milhões entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse. O filme sobre Jair Bolsonaro entrou no centro da controvérsia após revelações sobre a busca de recursos junto ao dono do Banco Master.
A Operação Compliance Zero, conduzida pela PF (Polícia Federal), investiga um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões. O caso envolve Daniel Vorcaro e ganhou novas fases com prisões, buscas e apurações sobre vazamento de informações sigilosas.
Compliance Zero
Conforme balanço divulgado em 18 de maio pela Agência Brasil, a operação acumulava seis fases e levou o Judiciário a decretar 21 prisões temporárias ou preventivas, entre elas a de Vorcaro. As prisões temporárias têm prazo de até cinco dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período, enquanto as preventivas não têm prazo determinado para revogação.
Em 19 de maio, a PF iniciou a sétima fase da Compliance Zero. Essa etapa investigou um perito criminal federal suspeito de vazar informações sigilosas da apuração.
O servidor virou alvo de mandados de busca e apreensão e teve suas funções suspensas por decisão do STF. A nova frente da operação ampliou o alcance da investigação e colocou sob análise a própria integridade do fluxo de informações dentro da apuração policial.
Em 26 de maio de 2026, agentes deflagraram a oitava fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). A investigação apura uma transferência de cerca de R$ 3 bilhões em recursos estaduais para fundos ligados ao Banco Master.
Segundo a PF, os aportes ocorreram principalmente por meio do Rioprevidência, fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. A frente de investigação reforçou o peso político do caso Master e ampliou a lista de personagens sob escrutínio.



