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'Exportador de tragédia, governo Trump quer melar a eleição brasileira de outubro', denuncia Roberto Tardelli

Em entrevista à TV 247, o jurista condena as agressões contra o Brasil e também alerta para declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio

Roberto Tardelli, Marco Rubio e Donald Trump (Foto: Reprodução/TV247 I Divulgação/Casa Branca)
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247 – O jurista Roberto Tardelli afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca "melar as eleições brasileiras de outubro" ao apoiar articulações do bolsonarismo com o objetivo de pressionar o Brasil com sanções e tarifa de 25% sobre parte dos produtos nacionais.

Em análise na TV 247, o estudioso fez críticas duras à política externa conduzida por Donald Trump e afirmou que o republicano atua para ampliar crises fora de seu país. "Trump tem uma agenda de destruição, é um déspota, exportador de tragédia, de genocídio, de forma cínica, debochada", desabafou.

O governo Trump adota uma ofensiva contra o Brasil em reação a condenações determinadas em investigações sobre ações golpistas. O jurista também criticou a menção dos EUA ao Pix e a acusação, sem provas, de que o país adotaria práticas desleais no comércio global.

Na entrevista, Tardelli destacou a gravidade das declarações concedidas pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na última terça-feira (2). O jurista avaliou que a fala representa um alerta sobre a posição que Washington tenta atribuir ao Brasil no continente. "O Brasil passa a ser o grande inimigo dos EUA na América", alertou Tardelli.

Aliado de Donald Trump, Rubio havia mencionado uma "coalizão de países amigos" na América e deixou o Brasil fora desse grupo. Ao falar sobre a região, o secretário de Estado incluiu uma ressalva ao país sul-americano.

"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão, a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos", afirmou Rubio.

Entenda

A ofensiva dos EUA contra o Brasil inclui a defesa de um tarifaço de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Ao tentar justificar a medida, o governo Trump afirmou que o Brasil praticaria ações comerciais desleais e mencionou o Pix.

O Banco Central lançou o Pix em 2020. Segundo dados da Agência Brasil, o sistema encerrou novembro de 2025 com 178,9 milhões de usuários cadastrados. A ferramenta tornou-se referência nacional em inclusão financeira e eficiência nas transações digitais, com uso por pessoas físicas, empresas e órgãos públicos em todo o país.

A pressão estadunidense ocorre em meio a condenações no Supremo Tribunal Federal relacionadas a tentativas de ruptura institucional. No inquérito sobre a tentativa de golpe, o STF condenou Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos de prisão, em julgamento que resultou em 29 condenações.

Na apuração sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, a Corte fixou mais de 1,4 mil condenações. Esse conjunto de decisões passou a integrar o pano de fundo das articulações de aliados de Bolsonaro junto ao governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.

No último dia 25, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, viajou para os Estados Unidos e retornou ao Brasil no dia 28. A viagem teve como objetivo estreitar contatos com a extrema direita estadunidense para estimular sanções contra o Brasil por causa de decisões do Judiciário.

Nos EUA, Flávio Bolsonaro se reuniu com o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive em território estadunidense. Os dois filhos de Jair Bolsonaro buscam aprofundar laços com a gestão trumpista em meio às pressões contra o Brasil.

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e morador dos EUA, será julgado pelo STF em 16 de junho após acusação de coação em caso ligado à tentativa de interferência no processo da trama golpista. A situação se insere no contexto de articulações externas que miram autoridades brasileiras e decisões tomadas por instituições nacionais.

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