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"Fábio Luís foi vítima de uma perseguição implacável", diz Marco Aurélio Carvalho

Advogado afirma que filho de Lula foi alvo de acusações sem provas, vazamentos e uso político de informações fora de contexto

Marco Aurélio de Carvalho e Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha" (Foto: Reprodução | Joédson Alves/Agência Brasil)

247 - Marco Aurélio Carvalho afirmou que Fábio Luís Lula da Silva foi alvo de uma ofensiva baseada em acusações sem provas, vazamentos de dados e interpretações distorcidas de sua movimentação financeira. Na avaliação do advogado, o caso revela uma tentativa de reativar, em novo contexto político, métodos de desgaste público já usados contra pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A declaração foi dada por Marco Aurélio em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, na qual ele comentou a exposição recente de informações sobre o filho do presidente e sustentou que houve perseguição política. Segundo o advogado, que atuou na defesa de Fábio em casos ligados à empresa Gamecorp/PlayTV durante o período da Lava Jato, o empresário voltou a ser transformado em alvo em meio ao ambiente pré-eleitoral.

“Posso dizer de forma muito tranquila que ele foi vítima de uma perseguição implacável”, declarou. Para ele, o fato de Fábio ser filho de Lula o converteu em um alvo simbólico de setores que, segundo sua avaliação, buscam atingir o presidente por vias indiretas. Marco Aurélio disse que, ao longo dos anos, foram atribuídos a Fábio bens, empresas e patrimônios que jamais se confirmaram, citando narrativas que circulam publicamente sem respaldo em fatos. “São tantas e variadas histórias que fica difícil a gente inclusive falar a respeito”, afirmou, acrescentando que “muitas mentiras não sobreviveram aos fatos”.

Na entrevista, o advogado disse que a suspeita em torno de uma suposta movimentação de R$ 19 milhões é “absolutamente fictícia” e procurou explicar como relatórios financeiros podem inflar valores a partir de um mesmo recurso que transita entre contas, aplicações e resgates. Segundo ele, uma única quantia pode aparecer diversas vezes em registros de movimentação, sem que isso represente enriquecimento ilícito ou ingresso de dinheiro novo. Marco Aurélio afirmou que a defesa conseguiu demonstrar que toda a movimentação de Fábio é lícita.

Ele citou, entre as origens dos valores, a herança recebida de dona Marisa Letícia, além de uma antecipação legítima feita por Lula e recursos residuais da venda da PlayTV. Ao mencionar a herança da ex-primeira-dama, o advogado disse que parte dessa movimentação teve origem em valores que Fábio sequer queria receber, em razão da carga emocional associada ao caso. “Não tem o que achar, não tem uma única irregularidade. Toda a movimentação é absolutamente lícita”, afirmou.

Marco Aurélio também criticou duramente a quebra de sigilo do filho de Lula e classificou como criminosa a divulgação de informações pessoais. Segundo ele, o sigilo fiscal está entre os aspectos mais íntimos da vida de uma pessoa, por expor hábitos, relações privadas e escolhas do cotidiano que não dizem respeito ao interesse público quando não há indício de irregularidade. Ainda assim, afirmou que a exposição acabou tendo efeito contrário ao pretendido por adversários políticos, porque, passados vários dias, nada de irregular teria sido encontrado.

Ao tratar da tentativa de vincular Fábio ao caso do INSS, o advogado negou qualquer ligação do empresário com os fatos investigados. Disse que não há relação “direta ou indireta” entre seu cliente e o objeto do inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, o empresário conheceu Antônio Camilo por intermédio da empresária Roberta Luchsinger, mas afirmou que esse contato não tem qualquer conexão com os fatos apurados. “Não recebeu um único centavo sequer”, declarou.

Na avaliação de Marco Aurélio, há uma tentativa de aproveitar o episódio para desgastar o governo e o entorno de Lula, embora, segundo ele, o próprio governo atual tenha sido responsável por descobrir irregularidades e agir para reparar prejuízos a aposentados. Ao comentar a conjuntura, o advogado afirmou que setores da oposição apostam em um desgaste político do presidente a partir da reativação de velhas narrativas. Para ele, no entanto, essa estratégia pode fracassar diante da ausência de provas e da reconstituição dos fatos.

Durante a entrevista, Marco Aurélio também afirmou que Fábio jamais teve a seu favor a presunção de inocência. Segundo ele, consolidou-se ao longo do tempo uma imagem pública marcada por suspeitas permanentes, mesmo sem comprovação material. “Em relação ao Fábio, nunca operou o benefício da dúvida ou a presunção da inocência”, disse. Na leitura do advogado, a divulgação recente de dados fora de contexto pode, paradoxalmente, contribuir para desmontar de vez versões que há anos circulam sobre o empresário.

Ao final, ele sustentou que o episódio pode produzir uma inflexão na forma como o filho de Lula é percebido publicamente. Segundo Marco Aurélio, se antes havia dúvida alimentada por anos de exposição negativa, agora a ausência de irregularidades tende a impor outra leitura sobre o caso.

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