Fim da escala 6x1 ganha força no Congresso e pressão popular pode acelerar aprovação, diz Inácio Arruda
Deputado afirma que mobilização popular e apoio do governo Lula aumentam chances de aprovação da PEC do fim da escala 6x1
247 - O deputado federal Inácio Arruda (PCdoB-CE) afirmou que o debate sobre o fim da escala 6x1 alcançou um novo patamar no Congresso Nacional e já conta com forte apoio popular. Em entrevista ao Boa Noite 247, o parlamentar avaliou que a mobilização social em torno da redução da jornada de trabalho se tornou um fator decisivo para pressionar deputados e senadores a aprovarem a proposta nos próximos meses.
Segundo Arruda, o tema ganhou força porque a população compreende de forma concreta o impacto da atual jornada sobre a vida dos trabalhadores. “Fim da escala 6x1 ganhou corações e mentes”, declarou o deputado ao analisar a repercussão da PEC defendida pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que propõe mudanças na organização da jornada semanal de trabalho.
O parlamentar relembrou que a discussão sobre redução da jornada acompanha o país desde a Constituição de 1988. De acordo com ele, setores conservadores já atuavam naquela época para impedir avanços trabalhistas. “O centrão foi criado exatamente na Constituinte para barrar iniciativas populares, entre elas a redução da jornada de trabalho”, afirmou.
Inácio Arruda destacou ainda que participou diretamente da formulação de propostas anteriores sobre o tema. Ele citou a PEC 231, apresentada em 1995, e outras iniciativas que buscavam reduzir gradualmente a jornada semanal para 40 ou até 30 horas. Apesar de avanços em comissões da Câmara, as propostas acabaram travadas politicamente ao longo dos anos.
Para o deputado, a grande diferença agora é que o debate saiu do campo técnico e passou a mobilizar amplamente a sociedade. “Quem trabalha seis dias por semana sabe perfeitamente o sufoco que é ter apenas um dia para cuidar da casa, dos filhos, descansar ou estudar”, afirmou.
Resistência conservadora e apoio do governo Lula
Durante a entrevista, Arruda reconheceu que há forte resistência de setores empresariais e conservadores no Congresso, mas avaliou que o apoio do governo Lula criou um ambiente mais favorável à aprovação da PEC.
“O governo do presidente Lula decidiu apoiar abertamente a redução da jornada de trabalho. Isso criou um clima importante para o acordo”, disse.
Segundo ele, a proposta em discussão prevê uma transição gradual até a jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto debatido prevê redução inicial para 42 horas pouco depois da aprovação e, posteriormente, a chegada às 40 horas em cerca de um ano.
“O movimento sindical brasileiro sai muito vitorioso nesse momento”, afirmou.
Inácio Arruda também rebateu críticas de setores empresariais que alegam risco de queda de produtividade ou demissões em massa. Segundo ele, experiências já apresentadas ao Congresso demonstram o contrário.
“Vários empresários relataram que reduziram a jornada e a produtividade aumentou substancialmente, junto com a qualidade de vida dos trabalhadores”, declarou.
Pressão popular será decisiva
O deputado afirmou que a pressão das redes sociais e das organizações populares teve papel fundamental para impedir recuos recentes de parlamentares que haviam apoiado propostas contrárias aos trabalhadores.
“A pressão social funcionou muito bem”, afirmou, destacando que muitos deputados passaram a rever posicionamentos diante da repercussão negativa entre os eleitores.
Segundo Arruda, o campo progressista sabe que não possui maioria folgada no Congresso e depende diretamente da mobilização popular para aprovar medidas de caráter social.
“Quando a votação é muito complicada, nosso campo chega a 140 votos. Para ultrapassar isso, precisamos de pressão social”, disse.
Ele também alertou que a tramitação no Senado poderá ser ainda mais difícil e pediu mobilização permanente da sociedade. “Precisamos pressionar voto a voto no Senado”, declarou.
Fiscalização trabalhista preocupa parlamentares
Outro ponto destacado pelo deputado foi a necessidade de reforçar a fiscalização das relações de trabalho após eventual aprovação da PEC. Segundo ele, o Brasil enfrenta déficit de auditores fiscais do trabalho após anos de desmonte da estrutura de fiscalização.
“Houve um descuido absoluto e proposital com a fiscalização trabalhista nos últimos governos”, afirmou.
Para Arruda, o avanço tecnológico e o aumento da automação tornam ainda mais urgente a redução da jornada de trabalho. “Os ganhos de produtividade da inteligência artificial e da automação não são transferidos para o trabalhador. A forma mínima de compensar isso é reduzindo a jornada”, defendeu.
O deputado acredita que a Câmara pode concluir as votações ainda nas próximas semanas, caso haja acordo entre os partidos para acelerar os trâmites regimentais. Ele, porém, reforçou que a continuidade da pressão popular será determinante para evitar obstruções.
“A conquista depende de pressão social permanente. Não podemos baixar a guarda”, concluiu.



