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Flávio Serafini: “A Alerj está tentando acobertar os esquemas do Banco Master”

Deputado do PSOL afirma que base de Cláudio Castro atua para protelar CPI sobre investimentos do RioPrevidência e consignados

Flávio Serafini: “A Alerj está tentando acobertar os esquemas do Banco Master”
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247 - O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ) acusou a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de atuar para impedir a instalação da CPI do Banco Master, que pretende investigar os investimentos do RioPrevidência e da Cedae na instituição financeira, além dos contratos de crédito consignado envolvendo servidores estaduais.

Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Serafini afirmou que a estratégia da base do governador afastado Cláudio Castro é “protelar” a investigação e criar obstáculos regimentais para impedir o funcionamento da comissão.

“A presidência da Alerj resolveu manobrar de todas as formas para não instalar a CPI”, disse o parlamentar. Segundo ele, o presidente da Casa, Douglas Ruas, alegou a existência de uma fila de 12 CPIs protocoladas anteriormente e ainda não publicadas. Para Serafini, a medida busca atrasar especificamente a investigação sobre o Banco Master.

“O que eles estão dizendo é: vamos instalar qualquer CPI, menos a do Banco Master”, afirmou.

O deputado relatou que ingressou na Justiça para garantir a abertura da comissão, após a Mesa Diretora não cumprir o prazo regimental para publicação do requerimento. Segundo ele, a CPI já reúne o número necessário de assinaturas e atende às exigências constitucionais.

Serafini também criticou parlamentares da oposição que, segundo ele, estariam colaborando com a estratégia da presidência da Alerj ao defender a instalação de CPIs antigas em vez da comissão voltada ao Banco Master.

“A bancada do Cláudio Castro parece convencida de que, se fingirem que não há nada acontecendo, nada vai acontecer”, declarou.

O parlamentar afirmou que a CPI pretende atuar em duas frentes principais. A primeira seria investigar os investimentos feitos pelo RioPrevidência e pela Cedae no Banco Master. A segunda envolveria os empréstimos consignados oferecidos a servidores estaduais, especialmente na modalidade conhecida como “Crédito do Trabalhador” ou “Credcesta”.

Segundo Serafini, mais de 100 mil servidores ativos e aposentados estariam submetidos a contratos com juros considerados abusivos. Ele afirmou que alguns empréstimos chegam a cobrar taxas superiores a 100% ao ano.

“O servidor pega mil reais emprestados e, no final do mês, a dívida aumenta em vez de diminuir”, disse.

O deputado afirmou que os primeiros convocados da CPI seriam dirigentes responsáveis pelas decisões de investimento do RioPrevidência e da Cedae, além de integrantes do governo envolvidos na regulamentação dos consignados.

Durante a entrevista, Serafini também comentou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou operações da Polícia Federal relacionadas ao caso. Segundo o deputado, o despacho reforça a suspeita de uma relação direta entre Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

“Antes de cada investimento do RioPrevidência no Banco Master, Cláudio Castro se encontrava com Daniel Vorcaro”, afirmou.

Serafini destacou que a Polícia Federal identificou encontros entre os dois no Brasil e no exterior, incluindo viagens pagas pelo empresário. Segundo ele, as investigações apontam “entendimentos políticos” prévios às liberações de recursos do fundo previdenciário estadual.

“O nível de envolvimento do governador é de uma vulgaridade assustadora”, declarou.

O deputado ainda afirmou que o grupo político ligado ao governador tenta manter influência sobre os órgãos de controle estaduais e acusou setores da oposição de contribuírem para a manutenção do atual cenário político no Rio de Janeiro.

“A Alerj hoje está dividida entre quem quer investigar e quem quer proteger esse esquema”, disse.

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