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Fundos do Master ligados ao Rioprevidência tiveram prejuízo de até 90%

O inquérito classifica o conjunto de operações como um “almanaque de irregularidades”

Fundos do Master ligados ao Rioprevidência tiveram prejuízo de até 90% (Foto: ABr | Reuters)
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247 - Os investimentos do Rioprevidência em fundos administrados pelo Banco Master registraram perdas de até 90%, tiveram desempenho inferior ao da poupança e passaram a integrar investigação da PF (Polícia Federal) sobre aportes que somam R$ 3 bilhões.

Segundo reportagem do jornal O Globo, documentos apresentados pela PF ao STF (Supremo Tribunal Federal) e relatórios do TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro), os recursos do órgão responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais foram direcionados a fundos recém-criados ou com perfil de risco considerado incompatível com a finalidade previdenciária.

A investigação aponta que as operações teriam sido viabilizadas por um “alinhamento político” entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). Segundo a PF, os repasses ocorreram em meio à “ausência de análises técnicas, concentração excessiva de risco e uso de intermediários para elevação de comissões e ocultação do pagamento de vantagens indevidas”.

O inquérito classifica o conjunto de operações como um “almanaque de irregularidades” nos investimentos feitos pelo Rioprevidência. Os aportes envolveram letras financeiras do Master e aplicações em fundos vinculados ao banco.

A defesa de Cláudio Castro negou qualquer “relação pessoal indevida” com Vorcaro e afirmou que os encontros entre ambos ocorreram em agendas oficiais.

Um dos casos citados na investigação é o fundo Texas I, administrado pelo Master. O Rioprevidência aplicou R$ 150 milhões no fundo entre junho e julho de 2025. Em dezembro do mesmo ano, segundo relatório mensal de investimentos da autarquia, o valor de mercado das cotas havia caído cerca de 90%, reduzindo o investimento para aproximadamente R$ 15 milhões.

A desvalorização foi associada ao elevado risco da carteira do fundo, que concentrava 96% de seu patrimônio em ações de uma única empresa, a Ambipar. No momento dos aportes feitos pelo Rioprevidência, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) já investigava o Texas e outros fundos por suposta manipulação de mercado envolvendo papéis da Ambipar.

Segundo a apuração da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários da CVM, entre junho e agosto de 2024, fundos teriam atuado de forma coordenada com o acionista controlador da Ambipar na compra massiva de ações da companhia. No período, a cotação teria registrado alta artificial de cerca de 863%, passando de aproximadamente R$ 13 para R$ 97,35. Após a revelação da investigação, as ações despencaram. A Ambipar nega irregularidades.

Em nota, o Rioprevidência afirmou que, em dezembro de 2025, resgatou R$ 1,4 bilhão de um dos fundos administrados pelo Master e que avalia medidas para recuperar valores alocados em outros fundos.

Outro fundo que recebeu recursos expressivos do Rioprevidência foi o Arena, com aportes de R$ 1 bilhão. Embora sua carteira fosse composta majoritariamente por títulos de renda fixa, técnicos do TCE-RJ apontaram que o desempenho ficou abaixo do esperado. Entre a criação do fundo, em dezembro de 2024, e agosto de 2025, a rentabilidade média foi de 4%, inferior ao CDI e até à poupança no mesmo intervalo.

“Pela análise gráfica fica evidente que o fundo performou muito abaixo do esperado para renda fixa, rendendo menos, até mesmo que a poupança, quase que se igualando ao IPCA acumulado no período”, afirmaram os técnicos do TCE-RJ.

O tribunal também apontou falta de racionalidade econômica na operação. Segundo a análise, o Rioprevidência pagou taxas de administração e gestão a terceiros para que o fundo comprasse títulos públicos, embora a própria autarquia tivesse equipe e estrutura para realizar esse tipo de investimento diretamente.

Além do Texas I e do Arena, os fundos Horizonte e Revolution também receberam recursos do Rioprevidência. O Horizonte, assim como o Arena, investia em títulos do Tesouro Nacional. Já o Revolution era cotista de outro fundo, com aplicações em shoppings.

Na avaliação do TCE-RJ, o conjunto dos investimentos indica desvio de finalidade na gestão dos recursos previdenciários. Sobre o Revolution, os técnicos apontaram indícios de irregularidades relacionados à falta de transparência e ao longo prazo para resgate das aplicações, o que configuraria risco relevante ao patrimônio do Rioprevidência.

Até julho de 2025, o Rioprevidência havia investido R$ 415 milhões no Revolution. Segundo os técnicos do TCE-RJ, a autarquia foi novamente a primeira investidora de um fundo administrado pelo Banco Master.

“Mais uma vez o Rioprevidência figurou como o primeiro investidor do fundo Revolution, realizando dois aportes, um na data de início das operações do fundo, 23/05/2025, e outro no dia útil subsequente, que alcançaram a cifra de R$ 100.000.000,00 e, novamente, em um fundo administrado pelo Banco Master”, afirmaram os técnicos do TCE-RJ.

Cláudio Castro declarou em nota que “O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, sem qualquer prejuízo ao Rioprevidência, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate realizado pela autarquia em janeiro de 2026”.

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