Flávio Serafini: “Tentam nos silenciar para esconder a crise política que vive a Alerj”
Deputado afirma que mudanças em comissões da Alerj são retaliação às denúncias contra o grupo político de Cláudio Castro
247 - O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) afirmou que a reorganização das comissões permanentes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) representa uma tentativa de enfraquecer a oposição e retaliar parlamentares que denunciaram irregularidades envolvendo o grupo político do ex-governador Cláudio Castro. As declarações foram feitas em entrevista ao programa Bom Dia, da TV 247.
Segundo Serafini, a retirada de parlamentares do PSOL da presidência de comissões estratégicas não decorre de uma reorganização administrativa, mas de uma reação às investigações e denúncias apresentadas pela bancada contra o governo estadual e seus aliados.
"Tentam nos silenciar para esconder a crise política que vive a Alerj", afirmou o deputado.
Na avaliação do parlamentar, a ofensiva começou após o PSOL intensificar denúncias sobre contratos públicos, obras superfaturadas e apresentar o pedido de instalação da CPI do Banco Master. Para ele, a perda de espaço político do grupo ligado a Cláudio Castro levou a uma estratégia de retaliação institucional.
"O governo Cláudio Castro tinha se transformado num espaço de roubalheira de porta aberta. Nós resolvemos enfrentar isso quando muitos preferiam permanecer em silêncio", declarou.
Serafini sustenta que a alteração da composição das comissões viola o próprio regimento interno da Assembleia. Segundo ele, as mudanças de proporcionalidade partidária somente poderiam ocorrer no início da sessão legislativa, e não durante o ano, como ocorreu.
Inicialmente, segundo o deputado, a ofensiva mirou três colegiados presididos pelo PSOL: a Comissão dos Servidores Públicos, comandada por ele; a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, presidida por Renata Souza; e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, então presidida por Dani Monteiro.
Para Serafini, esses espaços se consolidaram como instrumentos de fiscalização das ações do Executivo estadual e de defesa de setores sociais organizados.
"A Comissão de Direitos Humanos está há mais de vinte anos nas mãos da esquerda fazendo o debate sobre segurança pública e direitos humanos. A Comissão dos Servidores ajudou diversas categorias durante o período mais difícil do funcionalismo estadual", afirmou.
O parlamentar também relacionou a retaliação ao desgaste enfrentado pelo antigo grupo político que controlava o Palácio Guanabara. Segundo ele, as investigações, prisões de parlamentares e a perda de influência política teriam levado aliados do antigo governo a buscar o controle das estruturas da Assembleia.
"Eles estão perdendo espaço e, principalmente, perdendo o controle da narrativa no estado. Por isso tentam retirar da oposição as ferramentas de fiscalização", disse.
Mesmo diante da possibilidade de perder a presidência da Comissão dos Servidores Públicos, Serafini afirmou que continuará acompanhando as demandas do funcionalismo estadual. Como exemplo, citou negociações recentes com o governador interino Ricardo Couto para discutir a recomposição salarial de categorias da área da saúde.
O deputado destacou que psicólogos, fisioterapeutas e outros profissionais vinculados à Fundação Estadual de Saúde recebem remunerações inferiores a R$ 3 mil líquidos, sem benefícios adicionais, situação que, segundo ele, precisa ser revista.
Ao final, Serafini afirmou que a tentativa de retirar o PSOL das comissões não interromperá o trabalho de fiscalização realizado pela bancada.
"Mesmo que nos tirem das comissões, vamos continuar denunciando e acompanhando os processos. O nosso papel é fiscalizar e enfrentar os esquemas que prejudicam o Estado do Rio de Janeiro", concluiu.



