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“Foi golpe”, diz Alencar Santana sobre votação na CPMI do INSS

Deputado afirma que contagem em votação simbólica foi fraudada, critica “investigação seletiva” e diz que vai recorrer ao presidente do Congresso

Alencar Santana Braga (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - A votação na CPMI do INSS que reacendeu a disputa entre governo e oposição, com embate sobre requerimentos e contagem de votos, terminou em acusações de fraude e em anúncio de recurso para tentar reverter o resultado proclamado pela presidência do colegiado.

Em entrevista ao Brasil Agora, o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) sustentou que a condução da votação simbólica foi irregular e classificou o episódio como “golpe”, afirmando que as imagens mostram número suficiente de parlamentares favoráveis ao lado governista no momento da contagem. 

Deputado contesta quórum e diz que presidente da CPMI “mente”

Ao explicar o motivo de chamar o episódio de “golpe”, Santana atacou diretamente a condução do presidente da CPMI, a quem atribuiu motivação política. “Repito e afirmo, o presidente da CPI mente”, disse. Na entrevista, o deputado também afirmou que a presidência buscaria “desvirtuar o assunto” e “criar confusão”, enquanto, segundo ele, temas que a maioria quer ver avançar não entram na pauta.

Santana ainda associou a postura da presidência a uma estratégia de proteção a personagens e instituições que, na avaliação dele, deveriam ser investigados. “Ele quer proteger o banco Clava Forte”, afirmou, ao mencionar relações que, segundo o parlamentar, envolveriam atores ligados ao bolsonarismo e operações de crédito consignado e do Auxílio Brasil.

“Investigação seletiva”: requerimentos da maioria ficam fora da pauta, afirma

O deputado disse que a base governista, que se define como maioria no colegiado, protocolou pedidos de informação, convocações e quebras de sigilo que não foram apreciados. “Apresentamos diversos requerimentos (…) e esses requerimentos simplesmente não entram na pauta”, declarou. Em seguida, acusou a presidência de selecionar itens menos relevantes e de “cozinhar” deliberações mais robustas.

Segundo Santana, o problema se agravou quando voltou à pauta um pedido relacionado a “Lulinha”, que, de acordo com ele, já havia sido derrotado anteriormente. “Ele está fazendo uma investigação seletiva, está fazendo uma investigação enviesada (…) tão somente com finalidade política, sem ter elementos”, afirmou, acrescentando: “Eu não posso sair quebrando sigilo (…) simplesmente porque eu quero”.

Como funciona a votação simbólica e por que a contagem virou disputa

Para sustentar a acusação de fraude, o parlamentar comparou a votação nominal (com registro eletrônico) à votação simbólica. Ele explicou que, no modelo nominal, após registrar presença, é possível votar inclusive à distância. Já na votação simbólica, segundo ele, conta quem está fisicamente no plenário no momento do comando do presidente.

“Na votação simbólica (…) eu não consigo ser contado, porque eu não tô lá no plenário”, disse, ao exemplificar a diferença entre registrar presença e estar presente no instante em que se apura o resultado.

No relato do deputado, a base governista teria vencido uma votação anterior por 18 a 12, mas, na simbólica, o placar seria outro — e a contagem, contestada. “Na votação simbólica, nós tínhamos 14 votos e ele somente sete”, afirmou. Em seguida, foi categórico: “Ele finge ali uma contagem (…) Ó, desculpe, isso é golpe. Isso é baixaria”.

Santana também alegou que as imagens disponíveis permitem identificar os presentes. “Dá para ver no vídeo, dá para ver as imagens”, disse, ao afirmar que divulgaria registros com nomes e fotos dos parlamentares que, segundo ele, estavam no plenário no momento da votação.

Recurso ao presidente do Congresso e pedido de anulação

O deputado afirmou que, após a confusão, a bancada buscou o presidente do Congresso para relatar o ocorrido e formalizar um pedido de revisão. “Nós iríamos entrar com recurso, porque não dá pro parlamento simplesmente fraudar um resultado e achar que isso é normal”, declarou.

Na entrevista, Santana disse que o presidente do Congresso não antecipou juízo, mas orientou a formalização do pedido. “Tragam, tragam um pedido, formalizem”, relatou o deputado, ao contar que os “14 votantes” assinaram o recurso, com anexos de “imagens” e “vídeos da TV Senado”. Para ele, o objetivo é suspender ou anular o resultado. “Esperamos que essa votação seja no mínimo suspensa, mas preferencialmente anulada, porque foi um resultado viciado e não foi um resultado verdadeiro”, afirmou.

“Não tem materialidade”: posição contra convocação de Lulinha

Santana disse que, se o requerimento relacionado a “Lulinha” fosse votado individualmente, sua posição seria contrária por falta de base concreta. “Nós iríamos votar contra sim, porque não tem elemento que justifique uma convocação dele”, afirmou. E completou: “Até agora nenhum depoente citou ele. Até agora não tem materialidade nenhuma”.

Na mesma linha, ele criticou o que chamou de tentativa de “criar fumaça” e de transformar a comissão em arena eleitoral. “A oposição está tentando criar fato para desvirtuar a atenção”, disse, ao argumentar que a CPMI, segundo sua leitura, evidenciou marcos temporais ligados a 2019 e 2020 para a origem de práticas investigadas.

O que o deputado diz que a CPMI evidenciou sobre a origem das irregularidades

Ao ser questionado sobre o avanço das apurações e o prazo de encerramento da CPMI, Santana mencionou depoimentos e informações que, na sua avaliação, indicariam o início do problema em gestões anteriores. “Tudo começou em 2019, 2020”, afirmou, citando relatos de servidores e de pessoas ouvidas que teriam apontado contratos e medidas administrativas daquele período.

O deputado também defendeu que eventuais prorrogações só fariam sentido se houvesse “seriedade” e ausência de “pré-julgamento”. “Se for prorrogar, tem que fazer algo sério”, disse, ao sustentar que a comissão não pode ser, segundo ele, um instrumento para “achar um culpado” com finalidade eleitoral.

Tumulto após a votação e relato de agressão a Rogério Correia

Santana ainda descreveu o clima tenso após a proclamação do resultado. Segundo ele, houve confusão envolvendo parlamentares da oposição e o deputado Rogério Correia, e ele teria atuado para conter a escalada da violência. “De repente tem um tumulto agredindo o deputado Rogério Correia”, afirmou, mencionando “empurra-empurra” e que Correia teria caído no chão. “Eu atuei para poder impedir que a violência se concretizasse”, disse.

Na entrevista, ele alegou que imagens registradas pelo Senado mostrariam a dinâmica do episódio e criticou versões difundidas por adversários. “Se tem uma coisa que o bolsonarista sabe fazer, é mentir, inverter a verdade”, declarou, ao defender que os vídeos seriam esclarecedores.

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