Genoino: “A barbárie está sendo normalizada”
José Genoino alerta para risco de escalada militar dos Estados Unidos contra o Irã e afirma que crise internacional expõe esgotamento da ordem imperialista
247 - A possibilidade de uma escalada militar envolvendo os Estados Unidos e o Irã levou o ex-presidente nacional do PT, José Genoino, a fazer um alerta sobre o cenário internacional. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, ele afirmou que o mundo vive um momento de tensão crescente e que há risco de ampliação de conflitos regionais com impactos globais.
Ao analisar o ultimato feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao governo iraniano, Genoino declarou que acompanha com preocupação os desdobramentos. “Eu estou preocupado e acompanhando o noticiário, os comentários, as análises sobre a possibilidade de uma escalada de uma guerra regional a partir dos ataques do imperialismo americano contra o Irã”, disse.
Segundo ele, o Irã ocupa posição estratégica e possui capacidade de reação. “O Irã tem força. O Irã é um país que tem história. É um país diferente do que eles fizeram na Venezuela. Não vai ser assim. É um país que está situado numa região estratégica”, afirmou. Para Genoino, eventuais ataques iranianos a bases norte-americanas poderiam atingir outros países do Oriente Médio, ampliando o conflito. “Nós podemos ter uma conflagração regional.”
O ex-dirigente petista também mencionou o papel da China no contexto geopolítico. “Certamente a postura da China, que tem muito a ver com o petróleo do Irã, não vai ficar só com declarações de neutralidade”, avaliou, indicando que uma escalada poderia alterar o equilíbrio internacional.
Ao comentar a atuação de Donald Trump, Genoino foi enfático: “O Trump hoje é o principal arquiteto e causador de uma possibilidade de conflito mundial que terá como fase conflitos regionais.” Ele acrescentou que o cenário exige atenção imediata. “Nós estamos diante de um risco. Eu acho que a gente tem que ficar muito atento nesses próximos 10 dias.”
Para Genoino, a conduta do presidente dos Estados Unidos se baseia na pressão e na ameaça. “Ele não entende de negociação, ele entende de dominação, de coação militar.” O ex-presidente do PT afirmou ainda que há um contexto mais amplo de crise estrutural. “A ordem capitalista imperialista ocidental atravessa uma crise que eu chamo de crise civilizatória.”
Essa crise, segundo ele, envolve concentração de poder financeiro, desigualdade social e instabilidade política. “Essa crise ameaça a humanidade, ameaça os direitos, ameaça a democracia liberal, ameaça a soberania nacional”, declarou. Genoino relacionou esse cenário a uma lógica de radicalização. “O grau de degradação do trumpismo e o grau de virulência, o grau de arrogância, ele faz a barbárie como política de governo.”
Ao abordar a postura de Washington diante do Irã, afirmou: “A maneira como ele se refere ao Irã é: ou se dobra ou vamos daqui a uma semana ter notícia ruim. Ou se dobra ou vamos prender, ou se dobra ou vamos sequestrar.” Para Genoino, essa dinâmica ignora parâmetros do direito internacional. “Ele já disse que a moral dele não é o direito internacional, é a visão dele do mundo.”
O ex-dirigente também associou o momento internacional a um processo de relativização de normas e valores. “Relativização de procedimentos, relativização de normas. Tudo é relativo, é relativização da verdade com a narrativa”, afirmou. Em sua avaliação, há um esvaziamento de limites institucionais e éticos. “A própria humanidade está sendo relativizada por essa gente.”
Ao final, Genoino sintetizou sua preocupação com a conjuntura global: “Quando você vê 12 bilionários terem a renda da metade da população do planeta e você vê o quadro de miséria, de fome, você vê que é a barbárie mesmo. Nunca foi tão correto dizer que a civilização humana tem que enfrentar a barbárie, porque a barbárie está sendo normalizada.”
Para ele, o momento exige mobilização e debate público sobre os rumos do sistema internacional. “Nós estamos correndo um sério risco. Eu acho que a gente tem que estar atento, se mobilizar, discutir, fazer resistência.”

