Genoino exalta o fim da 6x1: "as ruas falaram e o Congresso agiu"
Ex-presidente do PT afirma que pressão popular recolocou os direitos trabalhistas no centro do debate político
247 - O ex-deputado federal constituinte e ex-presidente do PT José Genoino afirmou, em entrevista ao Bom Dia 247, que a aprovação do fim da escala 6x1 na Câmara representa uma vitória construída pela mobilização popular e pela pressão social sobre o Congresso Nacional. Segundo ele, a votação recoloca os direitos trabalhistas no centro da disputa política e cria um novo cenário para o governo Lula e para os movimentos sociais.
“A questão da jornada é a pedra central da defesa dos direitos sociais. E as ruas falam. Quando as ruas falam, o Congresso vota de acordo com as ruas”, declarou Genoino ao comentar a aprovação da proposta. Para ele, a mobilização em torno do tema demonstra que pautas ligadas às condições de vida da população têm capacidade de alterar a dinâmica institucional em Brasília.
Durante a entrevista, Genoino relembrou a atuação da Assembleia Constituinte de 1988, quando foi aprovada a jornada semanal de 44 horas. Segundo ele, a atual discussão sobre o fim da escala 6x1 se conecta historicamente à luta da classe trabalhadora pela redução da jornada de trabalho. “A jornada era de 16 horas, 14 horas, 10 horas, oito horas. É uma luta que diz respeito à relação entre capital e trabalho”, afirmou.
O dirigente petista avaliou que a repercussão da votação ultrapassou o ambiente político e alcançou trabalhadores em diferentes setores. Ele relatou conversas que ouviu em hospitais, lojas e no transporte público sobre o tema. “Quando a gente pega uma bandeira que tem respaldo popular, que dialoga com o sentimento popular, a gente consegue sair dessa política de baixo nível provocada pela extrema-direita”, disse.
Na análise de Genoino, a proposta do fim da escala 6x1 abriu espaço para o fortalecimento de uma “pauta do povo”, baseada em direitos sociais, valorização do salário mínimo, combate ao endividamento e melhoria dos serviços públicos. Ele argumentou que o debate sobre jornada de trabalho confronta diretamente o modelo econômico neoliberal. “O neoliberalismo destrói qualquer arquitetura social dos direitos”, afirmou.
Genoino também criticou setores empresariais e comentaristas que defenderam adiar a votação para depois das eleições. Para ele, esse posicionamento repete um padrão histórico de resistência às conquistas sociais no Brasil. “Quando você tem um processo em que o povo se manifesta, vem a onda do caos, da perversidade e da futilidade”, declarou.
Ao comentar a tramitação da proposta no Senado, o ex-presidente do PT disse acreditar que a pressão popular dificultará qualquer tentativa de barrar a medida. Segundo ele, a votação na Câmara colocou os senadores “contra a parede”. “Se o Senado aceitar a proposta da Fiesp e da CNI de jogar isso para depois da eleição, muitos mandatos serão julgados nas urnas”, afirmou.
Para Genoino, a aprovação do fim da escala 6x1 representa também uma derrota política da extrema direita. Ele argumentou que setores conservadores tentaram transformar o debate em uma discussão sobre caos econômico, mas acabaram isolados diante da repercussão social da proposta. “A extrema-direita saiu desgastada desse episódio”, avaliou.
O dirigente defendeu ainda que o governo Lula amplie o diálogo com movimentos populares e sindicatos. Segundo ele, a experiência da votação mostra que a articulação institucional precisa estar conectada à mobilização social. “O governo tem que saber equilibrar ruas e palácios”, afirmou.
Ao encerrar sua análise, Genoino disse que a disputa em torno da jornada de trabalho recoloca no debate nacional o papel dos direitos sociais na democracia brasileira. “A vida está acima do lucro. A vida está acima do mercado. As pessoas não são objetos que podem ser manipulados”, declarou.



