Gisele Agnelli vê Flávio Bolsonaro ‘com muitos problemas’, mas faz alerta sobre a ‘direita transnacional’
Em entrevista à TV 247, a cientista política e socióloga confirmou a existência de núcleos de apoio ao bolsonarismo nos EUA
247 - A cientista política e socióloga Gisele Agnelli afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, que o bolsonarismo mantém uma “grande estrutura de ajuda” nos Estados Unidos, país onde a estudiosa reside e atualmente presidido por Donald Trump, representante da extrema direita estadunidense. A analista comentou a negociação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para visitar os EUA.
Em análise na TV 247, Gisele pontuou que os novos escândalos do Banco Master deixam o parlamentar da extrema direita brasileira “com muitos problemas na campanha”, mas, de acordo com a analista, lideranças do campo progressista precisam estar atentos para a atuação de uma “direita transnacional”.
“Depois que Bolsonaro tentou o golpe, houve uma migração muito forte do bolsonarismo para a Flórida”, afirmou Gisele, em referência à trama golpista iniciada no governo bolsonarista. O caso resultou em 29 condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal. Jair Bolsonaro recebeu a pena mais alta, de 27 anos de prisão.
Autora da obra 'Autocracia Made in USA', a pesquisadora também abordou as relações externas de Flávio Bolsonaro. Conforme a estudiosa, o político da extrema direita “tem acesso muito grande ao Marco Rúbio”, citado no relato como secretário de Defesa dos EUA.
Novos escândalos
Os recentes desdobramentos envolvendo o Banco Master alcançam o senador Flávio Bolsonaro. Segundo reportagem publicada pelo The Intercept Brasil no último dia 13, o parlamentar da extrema direita brasileira tratou diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro de um financiamento de R$ 134 milhões para viabilizar a produção do filme Dark Horse, biografia cinematográfica de Jair Bolsonaro (PL). De acordo com a publicação, R$ 61 milhões desse montante foram efetivamente repassados.
Vorcaro, dono do Banco Master, está na mira da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. Investigadores apontam que o esquema de fraudes financeiras movimentou ao menos R$ 12 bilhões.
Um balanço divulgado pela Agência Brasil na última segunda-feira (18) informou que a PF bloqueou R$ 27 bilhões em bens e valores no caso Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação já resultou em mais de 20 prisões temporárias e no cumprimento de 116 mandados de busca e apreensão.
Fases da investigação
A etapa inicial da Compliance Zero ocorreu em 18 de novembro e levou sete pessoas à prisão temporária, incluindo Daniel Vorcaro. À época, o Banco de Brasília (BRB), instituição vinculada ao governo do Distrito Federal, negociava a aquisição do Banco Master. O Banco Central barrou a operação antes da ação da PF. Mesmo sem concluir a compra, o BRB adquiriu parte dos títulos do Master que, segundo a investigação, seriam fraudados.
A apuração também atingiu a alta direção do banco público. O episódio resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que está preso e negocia uma delação premiada. Daniel Vorcaro também busca um acordo com a Justiça para relatar os crimes atribuídos a ele em troca de possível redução de pena.
As fases posteriores da Operação Compliance Zero ocorreram em janeiro, março, abril e maio. Nesse período, a Polícia Federal aprofundou o mapeamento das ligações de Daniel Vorcaro e do Banco Master, com atenção a operadores, intermediários e estruturas empresariais que podem ter atuado na movimentação de recursos.
Com o avanço das investigações, o Banco Central oficializou a liquidação judicial do conglomerado do Banco Master. A medida também alcançou Letsbank, Will Bank e Banco Pleno.



