Haddad fora da disputa pode afetar campanha de Lula, avalia Mario Vitor
Analista afirma que ausência do ministro da Fazenda na cédula eleitoral teria impactos diretos na estratégia e no desempenho do campo governista
247- A possível decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de não disputar cargos eletivos em 2026 abriu uma frente de debates no campo progressista e acendeu alertas dentro do governo federal e do PT. A avaliação é de que sua ausência direta no processo eleitoral pode gerar consequências políticas relevantes, tanto para a campanha quanto para a articulação interna do partido.
A análise foi feita pelo comentarista Mário Vitor Santos durante participação no Bom Dia 247. Ao longo da análise, ele relacionou o cenário eleitoral às condições econômicas recentes e ao reposicionamento das forças políticas, destacando que o desempenho do governo Lula cria um ambiente favorável, mas não elimina riscos estratégicos.
Logo no início da conversa, Mario Vitor comentou os dados mais recentes do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que indicaram queda nas expectativas de inflação para os próximos anos. Segundo ele, o recuo das projeções abaixo de 4% sinaliza maior estabilidade econômica e melhora do humor social, fatores que tendem a favorecer o presidente Lula no processo eleitoral. “Quanto mais baixas são as expectativas de inflação, maiores são as possibilidades de uma atitude positiva em relação ao governo Lula”, afirmou.
O comentarista ressaltou que a percepção de controle econômico contrasta com previsões pessimistas feitas no ano anterior. “Não há uma sensação de insegurança no ar, de descontrole econômico e de ameaças no horizonte. Esse é o clima atual da economia brasileira”, disse, ao apontar que até setores tradicionalmente críticos ao governo reconhecem o cenário mais estável.
Ao analisar a reorganização das forças da direita, Mario Vitor foi contundente ao avaliar a concentração de pré-candidatos no PSD. Para ele, governadores que migraram para a legenda enfrentam dificuldades reais de viabilidade eleitoral. “São candidatos anêmicos, não têm voto”, declarou, acrescentando que pesquisas recentes indicam intenções entre 2% e 4%, enquanto Lula aparece próximo de 50%. Na sua leitura, o partido acabou se tornando um espaço de abrigo para candidaturas fragilizadas.
O centro da entrevista, no entanto, foi a situação de Fernando Haddad. Mario Vitor afirmou que a eventual saída do ministro do governo, sem uma candidatura definida, levanta dúvidas estratégicas. “Eu tenho a impressão que isso tem consequências”, disse, ao comentar a possibilidade de Haddad não participar diretamente da campanha. Em outro momento, reforçou: “Ele não estar na cédula, ele não participar diretamente desse esforço de angariar votos que podem ser definitivos para a vitória do presidente Lula, isso tem consequências palpáveis”.
O comentarista lembrou que a ausência do ministro já gerou manifestações públicas dentro do próprio governo. Citou cobranças feitas pelo ministro da Educação, Camilo Santana, e pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, no sentido de que este seria o momento de “cumprir missão” e colaborar de forma mais direta com o projeto eleitoral. Segundo Mario Vitor, essas falas podem refletir uma percepção mais ampla dentro do PT e do Palácio do Planalto.
Para ele, ainda que Haddad tenha o direito de não concorrer, a decisão impacta o desenho político do campo governista. “Ele é um elemento muito importante. Não é um ator secundário nem dentro do partido, nem na arrumação do governo”, avaliou. O analista também questionou a estratégia de preservá-lo para 2030, classificando a hipótese como pouco coerente com sua trajetória política recente.
Ao final da entrevista, Mario Vitor afirmou que os próximos meses serão decisivos para esclarecer os bastidores dessa escolha e seus efeitos sobre a campanha. Na sua avaliação, a definição do papel de Haddad tende a se tornar um dos pontos centrais do debate político no início do ano eleitoral, especialmente diante da possibilidade de uma vitória de Lula já no primeiro turno.


