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“Já estamos nos prolegômenos da Terceira Guerra Mundial”, diz Rui Costa Pimenta

Presidente do PCO afirma, em entrevista à TV 247, que o conflito contra o Irã já integra uma dinâmica global entre o bloco imperialista e seus adversários

“Já estamos nos prolegômenos da Terceira Guerra Mundial”, diz Rui Costa Pimenta (Foto: Brasil247 | REUTERS/Khalil Ashawi)

247 – O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista à TV 247, que a escalada militar no Oriente Médio já deve ser compreendida como parte de um processo de guerra mundial em formação. Ao analisar a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, ele disse que o conflito ultrapassa o plano regional e já expressa um embate estratégico mais amplo, que envolve também Rússia e China.

Ao longo da entrevista, Rui sustentou que o ataque ao Irã não pode ser visto como um episódio isolado, mas como parte de uma ofensiva do imperialismo contra forças que resistem à sua hegemonia. Em sua avaliação, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subestimou a capacidade de reação iraniana e acabou mergulhando em uma situação mais grave do que previa.

“O que tá acontecendo no Irã é um crime, é banditismo político pura e simples”, afirmou Rui. Em outro momento, reforçou sua condenação à ofensiva militar: “É uma atividade criminosa do governo norte-americano, liderado por Donald Trump”. Para ele, o bombardeio a um país em meio a negociações diplomáticas revela uma lógica de força bruta e de violação aberta do direito internacional.

Na leitura do dirigente do PCO, o Irã conseguiu responder de forma mais robusta do que o imperialismo imaginava. Por isso, segundo ele, a meta declarada de impor uma mudança de regime não se materializou até aqui. “Eu acho que o Irã, apesar de ser um embate muito difícil, até o momento tá indo bem no enfrentamento com o imperialismo”, disse.

Escalada militar e risco global

Rui Costa Pimenta descartou a possibilidade de uma rendição total do Irã, hipótese aventada por Trump em declarações recentes. Para ele, o presidente norte-americano usa uma retórica inflada, mas não dispõe das condições políticas e militares para transformar essa bravata em resultado concreto. “Eu acho difícil que aconteça”, declarou, antes de resumir: “O Trump é bravateiro, a gente já conhece”.

Na avaliação dele, a tendência dos Estados Unidos será continuar pressionando o Irã em busca de uma negociação que possa depois ser apresentada como vitória política. Ainda assim, Rui ponderou que não se trata de um cenário simples ou estabilizado, já que o imperialismo continua sendo uma força extremamente poderosa e capaz de aprofundar a destruição na região.

Ele também considerou gravíssimo o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, apontado na entrevista como um erro estratégico de enormes proporções. Segundo Rui, esse episódio elevou a tensão regional em um momento especialmente sensível do calendário religioso islâmico, o Ramadã, e pode produzir efeitos explosivos sobre regimes aliados de Washington no Oriente Médio.

Ao comentar o impacto popular desses acontecimentos, ele mencionou o caso do Bahrein, onde, segundo sua análise, o bombardeio a uma base norte-americana teria despertado forte comoção em favor do Irã. Para Rui, isso mostra que a guerra pode desestabilizar não apenas o alvo principal da ofensiva, mas também a arquitetura de poder mantida pelos Estados Unidos na região.

Rússia, China e o embrião de uma guerra mundial

Foi nesse contexto que Rui formulou uma das frases mais fortes da entrevista. “Eu acho que nós estamos aqui nos prolegômenos da guerra mundial. Acho que isso daqui já é a guerra mundial, só que embrionária”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a informação de que a Rússia estaria fornecendo inteligência ao Irã para ataques contra alvos dos Estados Unidos, Rui disse não ter dúvidas de que Moscou atua no tabuleiro. E foi além: afirmou acreditar que a China também está envolvida, ainda que de forma indireta.

“Todo mundo já percebeu que o alvo é a China e a Rússia”, declarou. Na sua avaliação, Moscou e Pequim não deixarão o Irã cair sem resistência, justamente porque uma derrota iraniana ampliaria dramaticamente o avanço geopolítico dos Estados Unidos sobre a Eurásia.

Rui observou que, na visão russa e chinesa, o colapso do Irã agravaria um quadro que já consideram delicado, marcado por golpes de Estado, pressões ocidentais e expansão da influência norte-americana em diversas partes da região.

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