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José Genoino: o estágio atual do imperialismo significa saque e pilhagem

Ex-deputado afirma que ofensiva contra a Venezuela revela a face mais brutal do imperialismo contemporâneo

Nicolás Maduro cercado por agentes dos Estados Unidos (Foto: Reuters/Eduardo Munoz)

247 - A crise envolvendo a Venezuela, segundo o ex-deputado federal e ex-presidente nacional do PT, José Genoino, não pode ser compreendida a partir de disputas retóricas sobre democracia ou direitos humanos. Para ele, o que está em curso é uma expressão direta e sem disfarces do imperialismo em sua fase atual, marcada pela apropriação violenta de riquezas estratégicas e pela imposição da força. A avaliação foi feita durante participação no programa Giro das Onze, em que Genoino adotou um tom de indignação e alerta diante do cenário internacional.

No Giro das Onze, da TV 247, Genoino afirmou que os acontecimentos recentes escancararam uma lógica histórica que volta a se impor de maneira aberta. “O imperialismo botou às favas o escrúpulo, a vergonha, a mentira. Escancarou tudo”, declarou, ao sustentar que já não há esforço para ocultar interesses econômicos e geopolíticos por trás das ações contra a Venezuela. Na sua leitura, as ilusões sobre um imperialismo moderado foram descartadas, restando apenas a realidade do confronto e da espoliação.

Ao tratar diretamente da Venezuela, Genoino foi enfático ao rejeitar as justificativas oficiais usadas para legitimar a ofensiva externa. “É uma invasão militar dos Estados Unidos para obter o petróleo. É disso que se trata. Não é democracia, não é direitos humanos, não é nada, é saque”, afirmou. Em outro momento, sintetizou sua análise ao dizer que “o estágio atual do imperialismo significa saque e pilhagem”, relacionando essa prática a uma trajetória histórica do capitalismo baseada na exploração de povos e territórios.

O ex-deputado também destacou que, embora a experiência venezuelana tenha dilemas e problemas, isso não autoriza sua deslegitimação ou submissão a forças externas. “Eu sou defensor da Venezuela, da soberania”, afirmou, ressaltando que nenhum país está isento de contradições e que processos políticos reais são sempre marcados por limites e conflitos. Para ele, o essencial é defender o direito dos povos de construírem seus próprios caminhos sem coerção imperial.

Genoino direcionou críticas duras à cobertura da grande mídia internacional e à sua reprodução no Brasil, argumentando que há uma tentativa deliberada de suavizar ou normalizar a violência. Segundo ele, veículos evitam termos que explicitariam a gravidade do que ocorreu, enquanto a mídia brasileira atua de forma subalterna. “Nenhum canal de televisão aberto fala em sequestro”, disse, ao alertar para o risco de se aceitar como normal aquilo que considera uma ruptura grave das normas internacionais.

Na avaliação do ex-parlamentar, o papel dos Estados Unidos nesse processo tem um responsável claro. Ele apontou Donald Trump como o principal agressor e afirmou ter reagido com revolta às declarações públicas do republicano. Para Genoino, a política externa norte-americana opera sem pudor, mobilizando poder militar e econômico para garantir o controle de recursos estratégicos, especialmente na América Latina.

A conclusão apresentada no programa foi a de que não há espaço para neutralidade ou acomodação. Genoino defendeu que a resposta ao imperialismo deve ser política e social, articulada em torno da denúncia, da solidariedade internacional e da resistência organizada. Em sua visão, aceitar a narrativa dominante ou relativizar a agressão significa abrir mão da soberania e legitimar uma ordem internacional baseada, mais uma vez, na força e na pilhagem.

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