Juliane Furno: EUA em decadência tornam-se mais perigosos
Economista afirma que perda de hegemonia leva Washington a agir de forma mais agressiva e a intensificar ofensivas militares, como ocorreu na Venezuela
247 - A economista Juliane Furno avaliou que os Estados Unidos atravessam um processo de decadência estrutural que, longe de reduzir sua capacidade de intervenção, tende a torná-los mais perigosos no cenário internacional. Segundo ela, a história demonstra que, quando se veem ameaçados, os EUA não recuam, mas partem para a ofensiva política, econômica e militar, ampliando riscos para países periféricos e regiões estratégicas. O exemplo perfeito é o ataque recente à Venezuela e o sequestro do presidente do país, Nicolás Maduro.
As declarações foram feitas em entrevista ao programa Boa Noite, da TV 247, na qual Juliane Furno analisou o comportamento recente de Washington diante das transformações da ordem global. Para a economista, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, combina instrumentos tradicionais de força com mecanismos de mercado, aprofundando práticas imperialistas em um contexto de perda relativa de poder.
Juliane Furno afirmou que a decadência norte-americana não deve ser confundida com enfraquecimento imediato. “Os Estados Unidos estão passando por um processo de decadência. Isso não significa que eles estejam fracos ou que vão cair de maduros”, disse. Na avaliação dela, o país enfrenta ameaças crescentes à sua hegemonia econômica, monetária e tecnológica, sobretudo com o avanço da China e o fortalecimento dos Brics.
Segundo a economista, esse cenário explica a adoção de estratégias mais agressivas. “O imperialismo norte-americano, quando se sente ameaçado, ao invés de atuar de forma defensiva, atua na ofensiva política”, afirmou. Juliane lembrou que esse padrão já foi observado em outros momentos históricos, como nos anos 1970, quando os EUA reagiram a derrotas militares e disputas monetárias com políticas de choque, como a elevação abrupta dos juros e a crise da dívida nos países periféricos.
A economista destacou ainda o papel central do dólar como instrumento de poder. Para ela, a moeda norte-americana segue sendo utilizada para drenar riquezas e impor sanções, mesmo em um contexto de contestação crescente. “O dólar é um instrumento prioritário de atuação do imperialismo para drenar as riquezas naturais e o trabalho dos países periféricos”, afirmou.
Juliane Furno também observou que o deslocamento do foco estratégico dos EUA para a América Latina revela essa lógica de reação. Em sua análise, Washington busca reforçar o controle sobre a região como forma de acumular forças diante da perda de espaço em outras frentes geopolíticas. “Os Estados Unidos passam a identificar na América Latina o seu local de interferência mais direta”, disse.
Para a economista, essa postura tende a gerar instabilidade política e econômica, sobretudo em países que não se alinham automaticamente aos interesses norte-americanos. Ela avalia que a mensagem transmitida é clara: governos que resistem podem ter sua soberania questionada ou diretamente atacada. Nesse sentido, Juliane Furno conclui que a decadência dos Estados Unidos não reduz o perigo que representam, mas, ao contrário, amplia a propensão a ações mais duras e imprevisíveis no cenário internacional.



