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Karine Teles, homenageada na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, fala sobre soberania imaginativa e economia criativa

Atriz também ressaltou, em entrevista ao 247, a importância da economia criativa e do impacto da cultura na vida do país

Karine Teles (Foto: Universo Produção)

Por Andrea Trus (247) - A atriz, roteirista e diretora destaca a importância do reconhecimento dos artistas, a diversidade regional no cinema brasileiro e o papel da cultura como motor de trabalho e indústria.

Homenageada na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, a atriz, roteirista e diretora Karine Teles falou sobre o que representa receber uma homenagem desse porte. Para ela, ser reconhecida em um espaço como a Mostra é fundamental para valorizar o trabalho dos artistas, especialmente em um país onde a arte enfrenta tanta instabilidade e desafios para ser reconhecida. “É muito significativo porque valoriza não só o trabalho individual, mas a trajetória de todos que lutam diariamente para construir e fortalecer o cinema brasileiro”, afirmou.

Sobre o tema da mostra, soberania imaginativa, Karine destacou a importância do conceito para o cinema brasileiro. Ela citou o filme O Agente Secreto, brasileiro e indicado ao Oscar, como exemplo: “É um filme que tem soberania imaginativa, mesmo bebendo de referências do cinema internacional. Ele pega essas referências e transforma em algo extremamente pessoal, brasileiro, com uma imaginação e um universo muito próprio.” Karine ressaltou que quanto mais se valoriza a diversidade e artistas de diferentes regiões do país, maior é a soberania imaginativa. Ela lembrou que, historicamente, o Brasil cresceu consumindo cultura de fora, e poucas pessoas tiveram o privilégio de se formar artisticamente a partir da própria cultura. “Acho que conseguimos isso de maneira pontual, com obras que fogem do ritmo do sucesso comercial. E estou num momento otimista. Vejo muita gente com bastante fôlego, que não desiste da luta.”

Karine também ressaltou a importância da economia criativa e do impacto da cultura na vida do país. Para ela, cinema, teatro, música, literatura e festivais de cultura popular geram emprego, movimentam a indústria e sustentam famílias em todo o Brasil. “Pode parecer que a cultura não é trabalho, não é indústria, mas é, né? São muitos empregos que são gerados. Quer dizer, emprego não, trabalhos, né? Porque a gente são pouquíssimas pessoas que vivem formalmente da cultura, né? Que têm carteira assinada, que são artistas. Meu sonho era esse, né? Que a gente conseguisse chegar num estado de evolução industrial da cultura e que a gente pudesse ter profissionais com dignidade trabalhista. E é por isso que eu faço”, afirmou. Ela lembrou ainda que incentivos governamentais são fundamentais, assim como ocorre em outras áreas estratégicas, como agricultura, indústria farmacêutica, agropecuária e esporte, permitindo que a cultura se desenvolva e gere resultados concretos para o país.

Ela também destacou a necessidade de descentralização, tanto na produção quanto na distribuição, e a importância de políticas públicas que promovam maior justiça e equidade no audiovisual brasileiro.

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes vai até o dia 31 de janeiro. No sábado, às 14h, haverá a apresentação do filme O Agente Secreto no Cine Tenda. O encerramento da Mostra, às 20h, também no Cine Tenda, incluirá os filmes das mostras competitivas.

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