“Lula precisa reforçar alianças ao centro e ampliar sua base popular”, diz Genoino
Genoino afirma que cenário eleitoral exige cautela, articulação política e foco em mudanças estruturais para garantir governabilidade e vitória nas urnas
247 - O debate sobre a estratégia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa eleitoral de 2026 ganhou destaque a partir de uma análise do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, que avaliou o atual momento político como decisivo para a consolidação de alianças e para o fortalecimento da base social do governo. Segundo ele, o cenário não permite triunfalismo e exige uma construção cuidadosa de apoios, tanto no campo eleitoral quanto no programático.Em entrevista ao programa Bom Dia 247, Genoino afirmou que o governo precisa atuar com equilíbrio e planejamento diante de um contexto marcado por disputas intensas e ausência de hegemonia política consolidada. Para ele, a condução adotada pelo Planalto a partir de meados de 2025 abriu possibilidades relevantes, mas também impôs novos desafios para a reeleição e para a governabilidade no próximo mandato.
“O Brasil está diante de um quadro político interessante que foi consequência das escolhas que o governo Lula fez a partir de maio, junho de 2025”, disse. Segundo Genoino, essas decisões tiveram impacto direto na reorganização da base política e no diálogo com a sociedade, criando condições mais favoráveis para a disputa eleitoral que se aproxima.
Na avaliação do dirigente histórico do PT, o governo não pode tratar o favoritismo de Lula como garantia de vitória automática. Ele alertou para fatores que podem interferir no processo, como a atuação da extrema direita, a manipulação midiática e a instabilidade do cenário internacional. “Não é uma bola na marca do pênalti. O Lula é favorito, mas tem muitas outras coisas que podem aparecer no meio do caminho”, afirmou.
Genoino defendeu que a estratégia central do governo deve combinar duas frentes de alianças. “Cabeça fria e coração quente, pé no chão, não entrar no oba-oba e construir dois tipos de aliança: aliança circunstancial eleitoral e uma aliança mais estratégica para fazer mudanças estruturais seletivas com o Lula 4”, declarou, ao destacar a necessidade de articulação com setores de centro sem abrir mão de um projeto transformador.
Para ele, a ampliação da base popular é condição essencial para sustentar esse processo. O ex-parlamentar destacou que o governo acertou ao priorizar o diálogo direto com a sociedade em torno do que chamou de “pauta do povo”, abordando temas como combate ao feminicídio, enfrentamento ao preconceito e defesa dos direitos das populações negras, indígenas e grupos historicamente discriminados. “O Lula assumiu uma posição mais clara no diálogo com a sociedade, dialogando com o povo em torno daquilo que eu chamo a pauta do povo”, afirmou.
Genoino também ressaltou que a disputa de 2026 não se limita à Presidência da República, envolvendo igualmente governos estaduais e o Congresso Nacional. Nesse sentido, ele defendeu a construção de um bloco político mais robusto para ampliar as bancadas na Câmara e no Senado, evitando que forças conservadoras alcancem maioria qualificada. “Nós vamos disputar uma eleição num quadro de uma certa radicalização política”, disse, acrescentando que será necessário “jogar bem, fazer alguns dribles e construir cenários”.
Segundo ele, o fortalecimento dessa base passa por uma atuação mais organizada das forças de esquerda e centro-esquerda. Genoino defendeu a formação de um polo político capaz de disputar o Legislativo com identidade programática clara e apoio explícito à reeleição de Lula. “É fundamental o governo Lula abrir a possibilidade de dialogar com um polo de esquerda, um polo mais dinâmico, uma espécie de mesa política”, afirmou.
Ao concluir sua análise, Genoino disse que o momento exige otimismo com responsabilidade. Para ele, os indicadores econômicos e sociais positivos ajudam, mas não eliminam problemas estruturais do país. “Nós não podemos ficar no otimismo exagerado. São sinais positivos, mas nós temos que fazer muito mais porque o país tem marcas desastrosas de concentração de renda, de desigualdade social e de debilidade nas políticas públicas”, afirmou. Segundo ele, apenas com alianças amplas, base popular fortalecida e um projeto claro de mudanças será possível garantir estabilidade política e avançar na agenda democrática nos próximos anos. Assista:



