"Lula transformou Trump no cabo eleitoral de Bolsonaro Júnior", diz Ricardo Amaral
Jornalista afirma que interferência dos EUA já é “dado de realidade” e que eleição de 2026 será duríssima
247 - O jornalista Ricardo Amaral afirmou que a eleição presidencial de 2026 será marcada por uma disputa dura, pela ação da extrema direita e pela interferência explícita dos Estados Unidos no processo político brasileiro. A declaração foi feita em entrevista a Mário Vítor Santos no programa Forças do Brasil, da TV 247.
Amaral, que acaba de integrar a equipe do Brasil 247, avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva age com “inteligência política” ao transformar a defesa da soberania nacional em eixo da disputa eleitoral. Para ele, Donald Trump e aliados do bolsonarismo nos Estados Unidos já atuam como fator externo da campanha.

“Nós temos um candidato do Brasil chamado Lula e o adversário dele é o candidato dos Estados Unidos da América, se chama Bolsonaro Júnior”, disse Amaral, em referência a Flávio Bolsonaro, apontado por setores da direita como possível nome para a sucessão presidencial.
Segundo o jornalista, a ingerência norte-americana não deve ser tratada como hipótese, mas como realidade. “Não tem que ficar discutindo o que o Lula pode fazer para o Trump não intervir. É um dado de realidade”, afirmou. Para Amaral, os Estados Unidos têm interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos no Brasil, sobretudo em áreas como energia, minerais e influência regional.
Ele também defendeu que Lula acertou ao reagir publicamente às investidas de Trump. “Quando ele levanta o dedo e diz ‘não se meta nas eleições no Brasil’, ele não está falando isso para o Trump, está falando para o eleitor brasileiro”, analisou. Na avaliação de Amaral, a soberania é um tema capaz de diferenciar o projeto de Lula do “falso patriotismo” da extrema direita.
Amaral alertou, porém, que o cenário favorável em pesquisas não deve gerar acomodação. Ele lembrou que as eleições vencidas por Lula e pelo PT sempre foram difíceis, mesmo quando havia expectativa de vitória mais confortável. “Por melhores que venham as pesquisas, a eleição será duríssima”, disse. “Lutar contra a mentira é muito difícil.”
O jornalista também criticou o papel das big techs no debate público. Para ele, as plataformas digitais influenciam não apenas eleições, mas o cotidiano da política e da formação de opinião. “Isso vai muito além do processo eleitoral”, afirmou.
Ao tratar da mídia tradicional, Amaral disse que houve um empobrecimento do debate nas grandes redações, especialmente após a consolidação do neoliberalismo no país. Segundo ele, a imprensa passou a operar com menos pluralidade e mais alinhamento a um “pensamento único”.
“O repórter do nosso tempo era o primeiro juiz da notícia”, afirmou. Hoje, segundo ele, a instantaneidade imposta pela internet e pelas redações digitais retirou dos jornalistas o tempo necessário para contextualizar os fatos. “A inteligência artificial já escolhe qual vai ser a manchete e não para para ver o contexto”, criticou.
Amaral também comentou o caso envolvendo Jaques Wagner e a Operação Compliance Zero. Para ele, o episódio já causou dano político ao governo por deslocar o debate eleitoral para um terreno defensivo. “O prejuízo eleitoral está dado na medida em que nós estamos há dois dias discutindo isso”, afirmou.
Ainda assim, o jornalista advertiu contra falsas equivalências. Ele disse que o caso precisa ser tratado com rigor, mas sem apagar a origem do escândalo do Banco Master, que, segundo sua leitura, remonta ao período do Banco Central sob Roberto Campos Neto, no governo Jair Bolsonaro.
Ao final, Amaral afirmou que o Brasil 247 terá papel relevante na cobertura da eleição de 2026, tanto no enfrentamento à desinformação quanto na defesa de um debate público centrado nos problemas concretos do país.



