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“Nunca os Estados Unidos ficaram tão isolados”, diz Trevisan

Professor Leonardo Trevisan afirma que Estados Unidos enfrentam isolamento global em meio a crises diplomáticas e tensões com aliados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega à Casa Branca, em Washington, D.C. (Foto: REUTERS/Annabelle Gordon TPX IMAGES OF THE DAY)

247 - Os Estados Unidos enfrentam isolamento global sob pressão política, em um cenário marcado por crises diplomáticas, tensões com aliados históricos e impactos econômicos crescentes. A avaliação é do professor de Relações Internacionais Leonardo Trevisan, ao analisar os desdobramentos recentes da política externa norte-americana.

As declarações foram dadas ao programa Boa Noite 247, onde Trevisan apontou que decisões e posturas adotadas pelo ex-presidente Donald Trump têm contribuído para um ambiente de instabilidade e perda de influência internacional. Segundo ele, o conjunto de ações recentes indica um quadro inédito. “Nunca os Estados Unidos ficaram tão isolados”, afirmou.

De acordo com o professor, episódios envolvendo ataques a instituições religiosas, mudanças abruptas em negociações diplomáticas e ações consideradas provocativas reforçam a percepção de desorganização estratégica. Para ele, há um padrão de comportamento inconsistente. “A última coisa que você pode pedir a Trump é coerência”, disse.

Trevisan também relaciona esse contexto ao desempenho recente de forças políticas de direita em diferentes países. Ele cita derrotas eleitorais na Europa, como na Hungria, França e Itália, associando esses resultados ao impacto de crises econômicas. “O ser humano não pensa com a cabeça, pensa com o bolso”, afirmou, ao destacar o peso da economia nas decisões dos eleitores.

No campo geopolítico, o especialista avalia que iniciativas envolvendo o Irã e o estreito de Ormuz ampliam tensões sem oferecer soluções concretas. Segundo ele, medidas como o envio de forças militares e ameaças de bloqueio energético têm caráter mais simbólico do que efetivo. “É mais um factoide”, afirmou.

A incoerência nas decisões energéticas também foi destacada. Trevisan lembrou que os Estados Unidos chegaram a flexibilizar sanções ao petróleo iraniano para conter preços, mas depois adotaram medidas restritivas. “Você não levanta as sanções e agora proíbe a venda”, criticou.

Outro ponto central da análise é o papel do mercado financeiro. Segundo o professor, investidores podem impor limites às decisões políticas, como já ocorreu em momentos recentes. “O poder financeiro vai dar um freio”, afirmou, ao mencionar episódios em que houve pressão sobre títulos da dívida americana.

Trevisan também alertou para os riscos internos, como o aumento da dívida pública e a possibilidade de alta na inflação, agravados por decisões que impactam o preço do petróleo e a estabilidade global.

Por fim, o especialista destacou que o isolamento internacional se reflete na fragilização de alianças estratégicas. Ele mencionou resistências de países aliados e críticas generalizadas à postura dos Estados Unidos. “A maioria dos países pediu um mínimo de coerência”, afirmou, indicando um cenário de crescente distanciamento diplomático.

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