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“Água não é mercadoria, é um direito”, afirma Luiza Dulci ao criticar privatização da Copasa

Vereadora do Partido dos Trabalhadores em Belo Horizonte destacou, em entrevista à TV 247, desafios da esquerda e defendeu políticas urbanas inclusivas

Vereadora Luiza Dulci (Foto: Reprodução / X / Luiza Dulci)

247 - Em entrevista à TV 247, a vereadora de Belo Horizonte (MG), Luiza Dulci (PT), defendeu a importância de fortalecer o poder legislativo municipal como espaço estratégico para a transformação política e social. Segundo ela, é nas cidades que se travam disputas fundamentais de valores e políticas públicas.

Logo no início da conversa, Dulci apresentou sua trajetória, que combina formação acadêmica em economia pela UFMG, atuação no movimento estudantil e experiências em governos federais, incluindo passagens pelas gestões de Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. Eleita vereadora em 2024, ela atualmente lidera a bancada do PT na Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Conjuntura política

Durante a entrevista, a parlamentar criticou o processo de privatização da Copasa, conduzido pelo governo de Romeu Zema. Dulci afirmou que a medida ameaça o acesso à água como direito fundamental. Ela citou riscos como aumento de tarifas, piora na qualidade do serviço e redução de investimentos públicos. “Água não é mercadoria, é um direito de todas as pessoas”, declarou.

A vereadora também analisou a dificuldade do PT em voltar ao comando da prefeitura da capital mineira, mesmo com crescimento no legislativo. Para ela, um dos problemas é a falta de continuidade estratégica entre eleições. “Parece que a gente não acumula de um ciclo para o outro”, disse, defendendo planejamento de longo prazo, fortalecimento de lideranças e maior conexão com movimentos sociais.

Ambiente legislativo

A parlamentar avaliou que o ambiente legislativo brasileiro tem passado por mudanças significativas, com maior presença de pautas conservadoras. Para ela, esse cenário exige uma atuação simultânea de resistência e proposição.

“O legislativo tem se transformado muito nos últimos tempos, virado um grande palanque para a extrema direita”, afirmou. Ao mesmo tempo, destacou que o mandato progressista deve atuar como “farol”, apontando alternativas e propostas concretas para a população.

Bancada de esquerda em BH

Dulci também ressaltou a ampliação da bancada de esquerda em Belo Horizonte após as eleições de 2024, o que considera uma vitória importante. Um dos principais temas abordados foi o projeto de reestruturação urbana no centro da capital mineira, associado à verticalização e à construção de grandes empreendimentos imobiliários.

A vereadora criticou a proposta e alertou para riscos de gentrificação, processo que pode expulsar moradores tradicionais de áreas valorizadas. “Se nós vamos construir moradia no centro, tem que ser para quem hoje não tem condição de morar ali”, afirmou.

Ela também chamou atenção para impactos ambientais e sociais desse modelo de desenvolvimento urbano, defendendo políticas voltadas à habitação popular e à democratização do acesso à infraestrutura já existente.

Ao comentar a gestão do prefeito Álvaro Damião (União), Dulci destacou que o PT mantém diálogo institucional, mas também faz críticas a projetos considerados prejudiciais à população.
Segundo ela, Belo Horizonte enfrenta, há anos, a ausência de um projeto estruturante de cidade, diferente de períodos anteriores em que administrações petistas implementaram políticas públicas com maior identidade.

Juventude na política

Ao abordar a relação entre política, juventude e religião, Dulci reconheceu que há um desafio global para a esquerda diante do crescimento da direita nesses segmentos. Ainda assim, apresentou uma visão otimista, destacando a atuação de jovens em movimentos culturais, ambientais e feministas. Para ela, o caminho passa por ampliar o diálogo e reconhecer novas formas de engajamento político.

A vereadora também falou sobre sua participação na rede Economia de Francisco e Clara, inspirada por um chamado do Papa Francisco. A iniciativa propõe repensar a economia a partir de princípios de justiça social e sustentabilidade. Segundo Dulci, essa perspectiva influencia diretamente sua atuação política, especialmente em pautas como meio ambiente, desigualdade e direito à moradia.

Ao final da entrevista, Dulci afirmou que não pretende disputar cargos em 2026 e que seu foco está na consolidação do mandato na Câmara Municipal. Ela indicou, no entanto, a possibilidade de reeleição em 2028. “Estou muito consciente da importância do legislativo municipal. Ele precisa ser ocupado com muita qualidade”, concluiu.

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