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Rogério Correia: “os bolsonaros querem fazer é cortina de fumaça”

Deputado Rogério Corrêa aponta disputas por CPIs, cita Banco Master, Vorcaro e ligações políticas e religiosas

Rogério Correia: “os bolsonaros querem fazer é cortina de fumaça” (Foto: ABR)

247 - A disputa em torno da criação de comissões parlamentares de inquérito no Congresso Nacional expôs, nos últimos dias, divergências profundas sobre o foco das investigações envolvendo o Banco Master. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, o deputado federal Rogério Corrêa (PT-MG) detalhou o cenário político, criticou iniciativas da extrema direita e afirmou que há tentativas de desviar a atenção do que considera o núcleo do problema.

No segundo momento da entrevista, exibida pela TV 247, Rogério Corrêa explicou que existem dois pedidos distintos de CPI em circulação. Segundo ele, a proposta apresentada por parlamentares bolsonaristas não teria como objetivo central investigar o Banco Master. “Você sabe que tem dois pedidos de CPIs no Congresso Nacional. Uma são os bolsonaristas querendo uma CPMI, mas a CPMI deles tem endereço só: querem investigar essas denúncias contra o Toffoli e também do Alexandre de Moraes, ou seja, desviar o assunto do que é realmente o Banco Master, o que nós precisamos saber”, afirmou o deputado. 

Corrêa destacou que há outra iniciativa, que considera mais consistente, apresentada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), voltada diretamente à apuração das operações do Banco Master e de suas conexões institucionais. “Essa CPI dele é para fazer uma investigação do que é o Banco Master e qual a relação dele com o Banco de Brasília e também com esses fundos de previdência do Rio de Janeiro e de outros municípios”, disse. O parlamentar lembrou que o banco foi posteriormente interditado pelo Banco Central, após operações que classificou como irregulares.

Na entrevista, Rogério Corrêa também comentou a movimentação no Senado, citando a proposta do senador Renan Calheiros de criar uma comissão para acompanhar as investigações. “Eu acho muito interessante essa proposta dele”, afirmou, acrescentando que, segundo Renan, haveria “envolvimento muito claro de figurões do Centrão”, incluindo tentativas de reverter a liquidação do banco.

Outro ponto abordado foi a atuação da CPMI do INSS, que investiga fraudes em empréstimos consignados. Corrêa relatou que houve pedidos de quebra de sigilo envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o próprio Banco Master. “Nós conseguimos a quebra do sigilo, só que o ministro Toffoli proibiu que a própria CPMI tivesse acesso e paralisou esse processo. Mas alguma coisinha a gente viu lá”, disse.

O deputado afirmou ainda que documentos oficiais revelam contatos telefônicos entre o deputado Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro, o que, segundo ele, levanta questionamentos que precisam ser esclarecidos. “É muito estranho que eles troquem esses telefonemas”, declarou. Na avaliação de Corrêa, essas relações passam por vínculos com a Igreja Batista da Lagoinha, em Minas Gerais, citando laços familiares e financeiros. “O ponto central é a Lagoinha. É a igreja da Lagoinha, porque tem aí um elo”, afirmou.

Ao tratar das investigações, Rogério Corrêa mencionou que parte dos recursos teriam passado por uma instituição financeira ligada à igreja. “Chama Clava Forte Bank. É um banco da igreja. Ele dizia que era um banco para que os fiéis fizessem seus investimentos, mas além dos fiéis vêm também aqueles que usam da boa-fé dos outros para fazer lavagem de dinheiro”, declarou, sempre ressaltando que suas afirmações se baseiam em documentos oficiais apresentados à CPMI.

O parlamentar também comentou as críticas e reações dentro da própria comissão, citando resistências à convocação de pastores e à quebra de sigilos. Segundo ele, a senadora Damares Alves acabou defendendo a necessidade de investigação diante da clareza dos documentos. “Ela disse que precisa ter investigação”, relatou.

Na parte final da entrevista, Corrêa voltou a criticar a atuação de Nikolas Ferreira, mencionando processos relacionados à disseminação de fake news e pedidos de apuração por órgãos do Estado. Ao citar declarações do parlamentar mineiro envolvendo política internacional, Rogério Corrêa lembrou episódios em que Nikolas teria pedido intervenção externa. Ele fez referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mencionar comparações feitas com a situação da Venezuela.

Para o deputado do PT, o acúmulo de denúncias tende a ampliar o cerco político e jurídico. “Eu acredito que a situação do Nikolas não está tão fácil não. Ele vai ser investigado, não tem condições de não ser investigado por esse tanto de fake news, mentiras e prejuízos que ele acaba dando ao povo brasileiro”, concluiu, em tom crítico, ao longo da entrevista exibida pela TV 247.

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