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Ualid Rabah vê Israel em derrota estratégica após confronto com o Irã

Presidente da Fepal afirma que apoio dos EUA foi decisivo para impedir colapso israelense e aponta desgaste histórico do sionismo

Raios de luz iluminam o céu durante uma tentativa de interceptação, em meio ao conflito EUA-Israel com o Irã. (Foto: REUTERS/Amir Cohen)
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247 - O presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, Ualid Rabah, afirmou em entrevista ao Brasil 247 que Israel saiu politicamente enfraquecido do confronto recente envolvendo Irã, Estados Unidos e o governo de Benjamin Netanyahu. Para Rabah, o episódio expôs limites militares, diplomáticos e simbólicos do projeto sionista.

Segundo ele, os anúncios feitos por Donald Trump sobre cessar-fogo e eventual renúncia iraniana ao programa nuclear devem ser vistos com cautela. Rabah lembrou que o Irã afirma há anos não buscar armas nucleares e disse que as declarações do presidente norte-americano não expressam, necessariamente, o que estaria sendo negociado.

“Não dá para acreditar nos Estados Unidos”, afirmou. Para Rabah, mais importante que os anúncios de Washington é observar o que ele considera uma mudança estrutural: “Talvez nós tenhamos agora, com essa frustração bélica dos Estados Unidos contra o Irã, o início publicamente posto do fim da hegemonia total dos Estados Unidos pós-queda da União Soviética”.

O dirigente também rejeitou a ideia de que cessar-fogos anunciados pela Casa Branca tenham garantido estabilidade na região. Ele citou Gaza como exemplo de trégua formal que não se traduziria, na prática, em fim da violência, desbloqueio humanitário ou reconstrução.

Rabah sustentou que Israel não conseguiu alcançar seus objetivos históricos desde 1948: nem eliminar a presença palestina da Palestina histórica, nem consolidar uma maioria judaica estável, nem neutralizar seus adversários regionais. Para ele, o confronto com o Irã derrubou dois mitos centrais: o de Israel como democracia e o de Israel como potência invencível.

“O Irã, tête-à-tête com Israel, teria aniquilado Israel. Essa é a verdade que não é mais possível esconder”, declarou. Em outro momento, reforçou: “Sem os Estados Unidos, apenas Israel no tête-à-tête com o Irã, não existiria Israel”.

Apesar disso, Rabah ressaltou que Israel não sofreu destruição generalizada de infraestrutura comparável à imposta a Gaza, Líbano e Síria. O que teria sido atingido, segundo ele, foram estruturas energéticas e militares estratégicas. O impacto maior, avaliou, foi psicológico e político: pela primeira vez, a população israelense teria percebido de forma mais ampla sua dependência direta da proteção norte-americana.

O presidente da Fepal também apontou sinais de crise interna em Israel. Segundo ele, setores jovens, liberais e ligados à tecnologia estariam deixando o país, enquanto ganhariam força grupos religiosos ultranacionalistas e colonos extremistas. Rabah descreveu esse processo como uma “talibanização” da política israelense.

Outro fator citado foi a mudança na opinião pública internacional. Rabah afirmou que há um crescente desgaste de Israel nos Estados Unidos, inclusive entre jovens judeus e setores conservadores ligados ao trumpismo. Também mencionou pesquisas no Brasil que, segundo ele, indicariam forte rejeição popular aos ataques contra o Irã e ao alinhamento entre Washington e Tel Aviv.

Para Rabah, o Irã obteve ainda uma vitória comunicacional inédita contra os Estados Unidos. Ele avaliou que Teerã conseguiu disputar a narrativa global de forma mais eficiente do que em crises anteriores, enquanto a causa palestina ganhou projeção internacional em meio ao genocídio em Gaza.

Na entrevista, Rabah também comentou a guerra na Ucrânia. Ele avaliou que ainda não estão dadas as condições políticas para um acordo entre Kiev e Moscou, já que a Rússia mantém exigências sobre neutralidade ucraniana, desarmamento, não adesão à Otan e reconhecimento de territórios sob controle russo.

Ao tratar da política interna dos Estados Unidos, Rabah minimizou a leitura de que uma resolução aprovada na Câmara para limitar novas ações militares de Trump contra o Irã represente oposição substantiva às guerras. Para ele, trata-se também de disputa entre democratas e republicanos com vistas às eleições legislativas de meio de mandato.

Rabah concluiu que Israel atravessa uma derrota histórica, não apenas militar, mas moral, política e demográfica. “Israel não tem mais futuro tal qual está colocado”, afirmou.

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