Vinícius Casalino cobra reação mais dura do PT e denuncia que 'a extrema direita joga sujo, fora da lei'
Em entrevista à TV 247, o jurista também fez críticas a Davi Alcolumbre e à narrativa da oposição ao governo sobre o escândalo do caso Master
247 - O jurista Vinícius Casalino afirmou esta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, que a extrema direita brasileira atua “fora da lei” e tenta transformar o escândalo financeiro do Banco Master em desgaste político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o analista, a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) expôs uma articulação entre bolsonaristas e setores do Centrão. Casalino avaliou que o Partido dos Trabalhadores precisa endurecer sua atuação política diante do cenário atual.
“A eleição não está ganha. O PT precisa ser mais agressivo. Líderes de extrema direita são truculentos, violentos. Lula deveria ser mais contundente com seus adversários políticos", disse. "Você tem que jogar dentro da lei, mas de maneira dura, mais incisivo neste combate. Não é praticar ilegalidades, inconstitucionalidades, é jogar dentro do jogo".
O estudioso avaliou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), "não quis negociar com o governo", mas sim "enfrentar o governo". Por 42 votos e 34 contrários, senadores rejeitaram no final de abril o nome de Messias para o STF.
Na avaliação feita por Casalino, grupos conservadores conseguiram direcionar parte da opinião pública para associar o escândalo do Banco Master apenas ao Judiciário brasileiro. “Centrão e extrema direita foram hábeis em induzir meios de comunicação e a população, a acharem que a roubalheira do Master envolvia somente ministros do Supremo, o que estava produzindo efeito”, afirmou.
Caso Ciro Nogueira e o Banco Master
O estudioso também comentou o impacto das novas investigações envolvendo Ciro Nogueira. Para Casalino, a operação alcançou pela primeira vez um nome influente do Centrão de forma concreta. “Pela primeira vez a operação chega de maneira concreta em um político importante do centrão”, disse.
A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu valores mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de benefícios como viagens internacionais, hospedagens, voos privados e uso de imóveis de luxo. As informações integram a representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero.
A PF também apura se houve uso do mandato parlamentar de Ciro Nogueira para atender interesses ligados ao Banco Master. Os investigadores analisam propostas legislativas apresentadas pelo senador que poderiam beneficiar diretamente a instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.
Entre os principais pontos da apuração está a emenda nº 11 apresentada por Ciro em agosto de 2024 à PEC nº 65/2023. O texto propunha elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Investigadores descreveram uma série de vantagens que o senador teria recebido do empresário investigado. Além dos pagamentos mensais, os investigadores apontaram custeio de viagens internacionais, restaurantes, hospedagens de alto padrão, voos privados e acesso a imóveis ligados ao dono do Banco Master.
A nova fase da Operação Compliance Zero ampliou a repercussão política do caso em Brasília e intensificou disputas entre governo, oposição e setores do Congresso Nacional. O avanço das investigações ocorre em meio ao desgaste provocado pela rejeição de Jorge Messias ao STF, episódio que aprofundou tensões entre o Palácio do Planalto e parte do Senado.
Outro lado
O senador emitiu uma nota em suas redes sociais na última quinta (8) e, em referência às investigações da PF, ele disse que existe uma tentativa de "manchar" sua "honra pessoal". "Quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse? Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo, nada me faz abandonar o povo que confia em mim", escreveu.
"Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons. Obrigado pelas manifestações de apoio e carinho comigo e com a minha família. Que Deus continue abençoando o Piauí e o Brasil. Vamos com tudo!".


