HOME > Esporte

Ancelotti diz que decisão sobre Neymar será “100% profissional” e nega pressão por convocação

Técnico da seleção brasileira afirma que atacante é “muito querido” pelo grupo, mas diz que avaliará apenas desempenho, forma física e intensidade

Técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, durante uma entrevista à Reuters 12 de maio de 2026 REUTERS/Sergio Queiroz (Foto: SERGIO QUEIROZ / Reuters)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 – Carlo Ancelotti chegará à convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo diante de uma das decisões mais simbólicas do futebol brasileiro: levar ou não Neymar ao Mundial de 2026. Maior artilheiro da história da seleção e um dos jogadores mais talentosos já produzidos pelo país, o atacante ainda busca convencer o treinador de que pode competir em alto nível após anos marcados por lesões, uma passagem discreta pelo Al Hilal e um retorno irregular ao Santos.

Em entrevista exclusiva à Reuters, concedida ao jornalista Fernando Kallas na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, Ancelotti afirmou que a escolha será feita sem pressões externas e com base exclusivamente em critérios profissionais.

"Quando você tem que escolher, precisa levar muitas coisas em consideração", disse o treinador italiano.

"Neymar é um jogador importante para este país pelo talento que sempre demonstrou. Ele teve alguns problemas, e está trabalhando forte para se recuperar. Ele melhorou muito recentemente e está jogando regularmente. Obviamente, para mim não é uma decisão fácil. Temos que ponderar bem os prós e os contras, mas isso não me coloca pressão. Faz um ano que estamos avaliando não só Neymar, mas todos os jogadores", afirmou.

Ancelotti reconhece peso de Neymar no grupo

O técnico admitiu que Neymar tem forte apoio dentro da seleção. Segundo ele, o carinho dos jogadores pelo atacante é um fator a ser considerado, mas não será determinante.

"Sei perfeitamente que Neymar é muito querido, não só pelo público, mas também pelos jogadores", declarou.

"Esse também é um fator, porque temos que levar em consideração o clima que envolverá a convocação do Neymar. Não é como se eu fosse jogar uma bomba no vestiário. Ele é muito querido, muito amado", acrescentou.

Ancelotti também comentou os pedidos públicos de jogadores pela presença de Neymar na Copa. Para o treinador, essas manifestações mostram que o atacante não seria um problema no ambiente interno da equipe.

"Acho normal que os jogadores expressem sua opinião. Sou grato a todos que me deram conselhos, agradeço a todos vocês. Mas, no fim das contas, a pessoa certa para tomar essa decisão, a mais indicada para fazê-lo, sou eu", disse.

"Isso influencia o ponto que acabei de mencionar: saber que se eu trouxer o Neymar para este grupo, o grupo ficará bem porque ele é muito querido por todos", afirmou.

Pressão externa não mudará decisão

Apesar da repercussão nacional em torno da possível convocação, Ancelotti afirmou que o ambiente interno da seleção está sob controle. A mídia e a opinião pública, segundo ele, fazem parte de um contexto que o treinador não pretende controlar.

"O ambiente interno, não creio que afetará a equipe em nada. O ambiente é muito positivo, muito tranquilo, e não importa qual jogador esteja no elenco, permanecerá positivo e tranquilo até o fim", disse.

"Mas não posso controlar o ambiente externo e o que a mídia diz. O ambiente interno está sob controle e assim permanecerá até o fim, com ou sem Neymar", completou.

A principal dúvida, no entanto, está no encaixe de Neymar ao modelo de jogo desejado por Ancelotti. O treinador pretende utilizar quatro atacantes capazes de correr, pressionar e recompor em alta intensidade, exigência que pode pesar contra um jogador que vem tentando recuperar sequência física.

Ainda assim, o italiano reconheceu evolução recente do camisa 10.

"Ele melhorou muito sua forma física nas últimas partidas", afirmou. "Ele tem jogado algumas partidas muito boas ultimamente. Seu condicionamento físico melhorou. Ele consegue manter uma alta intensidade durante uma partida. Mas há jogos e jogos".

“Tenho total autonomia”, afirma treinador

Ancelotti foi enfático ao dizer que não recebeu pressão de dirigentes, jogadores ou qualquer outro setor para convocar Neymar.

"Estou tranquilo porque sei perfeitamente que a decisão é minha", afirmou. "Não fui pressionado por ninguém para chamar o Neymar. Tenho total autonomia. A decisão será 100% profissional. Levarei em consideração apenas o seu desempenho como jogador de futebol. Nada mais".

O treinador, dono de uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol europeu, também afirmou que nenhuma lista será perfeita, mas disse confiar em sua capacidade de reduzir erros.

"Posso montar um time perfeito? Impossível! Mas posso montar um time com menos erros do que outros que tentariam. Disso eu tenho certeza", declarou.

Ao ser questionado se o Brasil deveria se preparar para uma surpresa na convocação, Ancelotti riu e respondeu: "Acho que não..."

Artigos Relacionados