Aprovação de Ancelotti é a menor entre técnicos do Brasil antes da Copa, diz Datafolha
Levantamento mostra baixa aprovação de Ancelotti e descrença no título do Brasil em 2026 entre torcedores brasileiros
247 - A aprovação de Carlo Ancelotti à frente da seleção brasileira é a mais baixa registrada no século antes de uma Copa do Mundo. Segundo levantamento recente, apenas 28% dos brasileiros consideram o trabalho do treinador italiano bom ou ótimo, em meio a um cenário de desconfiança também em relação às chances do Brasil conquistar o título em 2026.
De acordo com dados do Datafolha, divulgados pela Folha de S.Paulo, o índice coloca Ancelotti atrás de todos os seus antecessores em pesquisas semelhantes realizadas antes dos Mundiais desde 2002. O percentual atual reflete não apenas a avaliação do técnico, mas também um ambiente de ceticismo mais amplo em torno da seleção brasileira.
Na comparação histórica, Luiz Felipe Scolari tinha 37% de aprovação antes da Copa de 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato. Em 2006, Carlos Alberto Parreira alcançava 62%. Dunga registrou 49% em 2010, enquanto Scolari chegou a 68% em 2014. Já Tite obteve 64% em 2018 e 47% em 2022.
O levantamento também revela que apenas 29% dos entrevistados acreditam que o Brasil será campeão mundial em 2026 — o menor índice do século nesse tipo de sondagem. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 7 e 9 de abril, em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Além dos 28% que avaliam positivamente o trabalho de Ancelotti, 34% consideram sua atuação regular, 12% a classificam como ruim ou péssima, e 26% não souberam opinar. Parte da resistência ao treinador ainda está ligada ao fato de ele ser estrangeiro, embora essa rejeição venha diminuindo. Em junho de 2025, 31% se diziam contrários a um técnico não brasileiro no comando da seleção, enquanto 52% eram favoráveis.
Ancelotti assumiu o cargo em um momento conturbado do ciclo para a Copa. Após a saída de Tite, no fim de 2022, a seleção passou por uma sequência de comandos interinos e mudanças, incluindo Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, que deixou o cargo após derrota para a Argentina.
Contratado há menos de um ano, o treinador italiano é o quarto estrangeiro a dirigir a seleção brasileira — o primeiro de forma efetiva. Com um currículo consolidado no futebol europeu, ele é o único técnico a conquistar títulos nas cinco principais ligas do continente e detém o recorde de cinco títulos da Liga dos Campeões.
Nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ancelotti mantém prestígio elevado, mesmo com desempenho considerado apenas mediano em campo. Em dez partidas, entre Eliminatórias e amistosos, a equipe soma cinco vitórias, dois empates e três derrotas.
A chegada do técnico já era planejada pela antiga gestão da entidade, então comandada por Ednaldo Rodrigues. Quando Samir Xaud assumiu a presidência da CBF, a contratação já estava definida, e o italiano foi apresentado oficialmente no dia seguinte.
Apesar da avaliação mais crítica por parte da população, o histórico recente indica que a aprovação popular antes de um Mundial não garante desempenho esportivo. Em 2002, Scolari tinha índice semelhante ao atual de Ancelotti antes de levar o Brasil ao título. Já em 2014, quando contava com ampla aprovação, a seleção sofreu a histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha.


