Botafogo pede recuperação para barrar punições da Fifa
SAF informa passivo de R$ 1,28 bilhão e tenta suspender transfer bans que ameaçam o clube no Brasileirão
247 - A SAF do Botafogo formalizou pedido de recuperação judicial nesta quinta-feira, declarou passivo de R$ 1,28 bilhão e tenta usar a medida para barrar três punições ativas na Fifa, que colocam o clube sob risco de transferência e eventual perda de pontos no Brasileirão. As informações foram publicadas no Portal UOL.
O pedido entrou no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), com comunicação enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). A estratégia busca travar cobranças judiciais no Brasil e acelerar a retirada do clube da lista de sanções da Fifa.
Clube busca proteção judicial contra cobranças
A recuperação judicial representa um passo formal após a liminar que já antecipava efeitos da medida por 60 dias. O Botafogo tinha essa cautelar a seu favor, mas a Fifa não aceitou a decisão preliminar como base suficiente para suspender as punições internacionais.
Com a formalização do pedido, a SAF tenta reforçar sua posição jurídica perante a entidade máxima do futebol. O clube argumenta que precisa da recuperação judicial em curso para impedir danos esportivos e financeiros de difícil reversão.
Na petição, a SAF citou a posição da Fifa sobre a cautelar.
“A Fifa comunicou que a cautelar preparatória não seria suficiente para reversão das punições, o que apenas poderia ser admissível com o efetivo ajuizamento da recuperação judicial, que se torna, pois, o único caminho hábil para obstar a concretização da danos irreversíveis”, afirmou o documento.
Transfer bans aumentam pressão sobre o Botafogo
O Botafogo já acumulava uma punição por falta de pagamento relativa à contratação do atacante Rwan Cruz. Depois da liminar, o clube recebeu mais duas sanções, agora ligadas a dívidas nas negociações de Thiago Almada e Santi Rodríguez.
Esses casos ampliaram a pressão sobre a SAF. O clube passou a enxergar risco esportivo mais grave, já que a manutenção das punições pode bloquear registros de atletas e abrir caminho para novas consequências no Campeonato Brasileiro.
A recuperação judicial, se aceita, dará ao Botafogo um prazo de até 60 dias para apresentar um plano de pagamento aos credores. Esse documento precisará detalhar como a SAF pretende reorganizar suas dívidas e atender compromissos financeiros em meio à crise.
Dívida bilionária entra no centro da disputa
O passivo de R$ 1,28 bilhão informado à Justiça coloca a dimensão financeira da SAF no centro do caso. O pedido também surge em meio à tentativa do clube de organizar obrigações com credores nacionais e internacionais.
No Brasil, a recuperação judicial pode suspender cobranças e concentrar negociações em um plano único. No exterior, o Botafogo busca usar a medida como argumento para conter punições da Fifa e proteger sua atividade esportiva.
A petição mostra que o clube trata o pedido formal como caminho necessário para tentar impedir a escalada das sanções. A SAF avalia que apenas a cautelar não produziu efeito suficiente diante da entidade internacional.
Mudança no comando ocorre em meio à crise
O Botafogo também vive mudança na gestão da SAF. Em assembleia, Eduardo Iglesias assumiu a direção geral no lugar de Durcesio Mello, que pediu para sair do cargo.
A escolha partiu do Botafogo associativo, hoje único acionista com poder de voto. A Justiça suspendeu os direitos políticos da Eagle em meio à disputa com John Textor, o que alterou o equilíbrio interno da sociedade anônima do futebol.
Mesmo com a troca no comando principal, o time jurídico segue o mesmo. A SAF mantém a atuação dos escritórios Salomão Advogados, Basílio Advogados e Fux Advogados na condução do caso.
Plano de pagamento será próximo passo se Justiça aceitar pedido
Caso o TJ-RJ aceite a recuperação judicial, o Botafogo terá de apresentar o plano de pagamento aos credores dentro do prazo legal. A proposta indicará condições, prazos e estratégias para reorganizar o passivo bilionário.
A SAF aposta na medida para enfrentar simultaneamente a pressão dos credores no Brasil e as punições esportivas no âmbito da Fifa. O clube formalizou a ação em um momento decisivo, com três sanções internacionais em vigor e risco de impacto direto no Brasileirão.



