Deputados da UE cobram investigação contra Infantino por prêmio a Trump
Parlamentares da União Europeia questionam se presidente da Fifa violou neutralidade política ao homenagear Donald Trump
247 - Um grupo de 50 parlamentares da União Europeia pediu ao comitê de ética da Fifa que investigue o presidente da entidade, Gianni Infantino, por possível violação das regras de neutralidade política após a criação do Prêmio da Paz da Fifa e a entrega da primeira edição da honraria ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o ciclo da Copa do Mundo de 2026.
A cobrança foi formalizada em uma carta obtida pelo site Politico. No documento, os eurodeputados apoiam uma denúncia apresentada pela FairSquare, organização de direitos humanos que questiona a forma como a premiação foi criada e os critérios usados para concedê-la a Trump em dezembro de 2025.
O episódio ampliou a pressão sobre Infantino em meio à Copa do Mundo de 2026. Para os parlamentares europeus, tanto as declarações públicas do presidente da Fifa em favor de Trump quanto a homenagem concedida ao presidente norte-americano podem entrar em conflito com o estatuto da entidade, que prevê neutralidade em assuntos políticos e religiosos.
A primeira edição do Prêmio da Paz da Fifa foi entregue a Trump em 5 de dezembro de 2025, durante o sorteio da Copa do Mundo de 2026, realizado em Washington. Na ocasião, Infantino afirmou que a honraria passaria a ser concedida anualmente e justificou a escolha citando ações atribuídas ao presidente dos Estados Unidos em favor de acordos de paz.
A FairSquare sustenta que a criação da premiação não teria passado previamente pelo Conselho da Fifa, principal órgão deliberativo da entidade. A organização afirma que a decisão levanta dúvidas sobre transparência, governança interna e eventual uso político de uma estrutura institucional ligada ao futebol mundial.
Autor da carta, o eurodeputado irlandês Barry Andrews afirmou que o caso pode comprometer a credibilidade da Fifa e do torneio. “A Copa do Mundo deve unir o mundo. Quando o presidente da Fifa favorece um presidente em detrimento de outro, isso prejudica a credibilidade da Fifa e de todo o torneio”, declarou Andrews.
Na carta enviada à entidade, os parlamentares defendem que a denúncia seja analisada formalmente pelo comitê de ética. Para eles, a Fifa precisa demonstrar que seus princípios de neutralidade, transparência e prestação de contas permanecem válidos também em situações que envolvem chefes de Estado e grandes eventos internacionais.
“Com os olhos do mundo voltados para a Fifa neste verão, a organização deve tratar a denúncia ética da FairSquare. Esta é uma oportunidade para provar seu compromisso com a neutralidade política, a transparência e a prestação de contas”, diz o documento.
A controvérsia coloca novamente em debate a relação entre futebol, diplomacia e poder político. A Fifa costuma afirmar que atua de forma independente em relação a governos, mas a homenagem a Trump levou parlamentares europeus e entidades de direitos humanos a cobrarem explicações sobre os limites entre reconhecimento institucional e posicionamento político.
A eventual investigação deverá avaliar se Infantino descumpriu regras internas ao criar o prêmio e concedê-lo ao presidente norte-americano ou se a decisão estava dentro das atribuições da presidência da Fifa. Até o momento, a cobrança dos eurodeputados se concentra na abertura de uma apuração pelo comitê de ética da entidade.



