Gilmar Mendes presta solidariedade a Vini Jr após denúncia de racismo na Champions League
Ministro do STF afirma que “racismo não se tolera — no futebol ou fora dele” e reforça apoio ao atacante brasileiro
247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, manifestou apoio público ao atacante Vinícius Júnior após o jogador denunciar ter sido alvo de injúria racial durante partida da UEFA Champions League. O episódio ocorreu no confronto entre Real Madrid e Benfica. Segundo o brasileiro, o meia argentino Gianluca Prestianni teria repetido a ofensa "macaco" durante discussão em campo no segundo tempo da partida.
Em suas redes sociais, Gilmar Mendes afirmou que "racismo não se tolera — no futebol ou fora dele". O ministro classificou o caso como grave e destacou que o atacante já foi alvo de situações semelhantes anteriormente. "É inaceitável e não pode ser tratado com indiferença. Não é a primeira vez que Vini Jr. é alvo de condutas abjetas como essa — o que torna o episódio ainda mais grave", escreveu.Na mesma publicação, o magistrado reforçou solidariedade ao atleta brasileiro. "Minha solidariedade a um dos nossos maiores talentos, que enche o Brasil de orgulho dentro e fora de campo. Sua coragem em denunciar merece respeito. Não se pode normalizar o inaceitável", completou.
O incidente em campoA confusão começou após Vinícius Júnior marcar o gol da vitória do Real Madrid. Logo depois da comemoração, ele discutiu com Prestianni, que chegou a cobrir a boca enquanto falava, gesto comumente usado por jogadores para evitar leitura labial.
Diante da acusação, o atacante brasileiro se dirigiu ao árbitro francês François Letexier, que acionou o protocolo antirracismo ao cruzar os punhos, sinal oficial adotado pela Fifa em casos de discriminação. De acordo com o atacante Kylian Mbappé, companheiro de equipe no clube espanhol, o argentino teria repetido a ofensa cinco vezes.
Prestianni negou as acusações. Em publicação no Instagram, declarou: “Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao jogador Vinicius Júnior, que infelizmente interpretou mal o que acredita ter ouvido. Nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid”.
Como funciona o protocolo antirracismo
O protocolo aplicado em competições internacionais prevê três etapas. Inicialmente, o árbitro avalia a denúncia ou identifica o comportamento discriminatório e pode interromper temporariamente o jogo. Nesse momento, os telões do estádio exibem mensagem informando o ocorrido e alertando para a possibilidade de suspensão da partida.
Caso as ofensas persistam, o árbitro pode paralisar novamente o confronto e, em último caso, determinar o encerramento definitivo da partida. Todas as ocorrências são registradas na súmula, documento que fundamenta a abertura de eventuais processos disciplinares pelas entidades responsáveis.O caso reacende o debate sobre o combate ao racismo no futebol internacional e amplia a pressão por medidas mais efetivas para coibir episódios recorrentes envolvendo atletas negros em competições de alto nível.


