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Médico-legista afirma que Maradona sofreu por "cerca de 12 horas" antes de morrer

Carlos Casinelli disse ao tribunal que ex-jogador apresentava sinais de hipóxia prolongada e retenção severa de líquidos

Fãs da lenda do futebol argentino Diego Armando Maradona se reúnem, no dia de um julgamento contra pessoas acusadas pela morte de Maradona, em Buenos Aires, Argentina, 11 de março de 2025 (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

247 - Diego Maradona sofreu por "cerca de 12 horas" antes de morrer, afirmou nesta quinta-feira (7) um dos médicos responsáveis pela autópsia do ex-jogador argentino. A declaração ocorreu durante audiência do julgamento que apura as circunstâncias da morte do ídolo.

Segundo a AFP, Carlos Casinelli, médico-legista que participou da autópsia, disse que os sinais identificados no corpo indicavam um quadro prolongado de sofrimento antes da morte. O depoimento ocorreu durante a fase de produção de provas do processo que investiga a atuação da equipe médica responsável pelo tratamento de Maradona no período anterior ao falecimento, em 2020.

Sinais de agonia prolongada

"Quanto tempo durou a agonia? Não saberia dizer exatamente. Estimamos cerca de 12 horas de agonia", declarou Casinelli durante a audiência. O médico afirmou ainda que a perícia encontrou diversos sinais compatíveis com hipóxia prolongada.

"(No corpo de Maradona, foram encontrados) Derrame pleural bilateral, anasarca, 350 cm³ de urina na bexiga, necrose tubular aguda, todos indicadores de hipóxia. Esses são indicativos de uma agonia prolongada, não repentina", disse.

Para a acusação, o período de sofrimento antes da morte pode indicar negligência por parte dos profissionais responsáveis pelos cuidados do ex-jogador. A defesa dos acusados contesta a tese de agonia prolongada e nega qualquer responsabilidade criminal.

Imagens da autópsia e reação da família

Na terça-feira (5), outro médico-legista, Federico Corasaniti, já havia afirmado ao tribunal que as condições do coração de Maradona apontavam para "uma agonia prolongada". Durante o depoimento desta quinta-feira, foram exibidas fotos e vídeos da autópsia. A divulgação das imagens levou Gianinna Maradona, uma das filhas do ex-jogador, a deixar a sala de audiência.

Casinelli também chamou atenção para o nível de retenção de líquidos identificado no corpo do ex-atleta. Segundo ele, o quadro não teria surgido de forma repentina. "Normalmente, não se deve ter retenção de líquidos; ele tinha 3 litros no abdômen. E isso não se forma em um ou dois dias; isso já durava mais de uma semana, 10 dias", afirmou.

Sete réus por homicídio doloso

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, em decorrência de edema pulmonar e parada cardiorrespiratória. Ele se recuperava de uma neurocirurgia realizada dias antes da morte.

Sete profissionais de saúde respondem por homicídio doloso, acusação baseada no entendimento de que os envolvidos tinham consciência de que suas ações poderiam provocar a morte do ex-jogador. As penas podem chegar a 25 anos de prisão. Um oitavo réu será julgado separadamente.

O caso voltou aos tribunais após a anulação do primeiro julgamento, em 2025, quando veio à tona o envolvimento de um dos juízes na produção de um documentário clandestino sobre o processo.

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