HOME > Esporte

Ministra descarta boicote da França à Copa do Mundo nos EUA

Governo francês diz não haver intenção de retirar a seleção do Mundial, apesar de pressões políticas na Europa contra Donald Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, em 6 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Kent Nishimura)

247 - A França confirmou que pretende disputar normalmente a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. Segundo o governo francês, não existe, neste momento, qualquer disposição oficial para um boicote ao torneio, apesar de pressões políticas surgidas em diferentes países europeus contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, disse que  “não há vontade de boicote” por parte do ministério, mesmo diante de manifestações de parlamentares que defendem uma reação esportiva às posições do governo americano no cenário internacional.

Marina Ferrari destacou que, embora existam debates políticos em curso, o esporte deve ser preservado dessas disputas. “Agora, não faço previsões sobre o que pode acontecer, mas também ouvi vozes que se levantam vindas de alguns blocos políticos. Faço questão de que se dissocie o esporte (da política). A Copa do Mundo de futebol é um momento extremamente importante para todos os amantes do esporte”, afirmou a ministra.

As declarações ocorrem em meio a uma mobilização de setores da esquerda europeia que questionam a realização de jogos do Mundial em território norte-americano. Na França, o deputado Éric Coquerel, do partido A França Insubmissa (LFI), solicitou formalmente à Fifa que considere a possibilidade de a competição ser disputada apenas no México e no Canadá.

Em publicação na rede social X, Coquerel fez duras críticas ao governo dos Estados Unidos e escreveu: “Sério, dá para imaginar jogar uma Copa do Mundo de futebol em um país que agride seus ‘vizinhos’, ameaça invadir a Groenlândia, destrói o direito internacional, quer sabotar a ONU, instaura uma milícia fascista e racista em seu território, ataca as oposições, proíbe o acesso à competição de torcedores de cerca de quinze países, planeja banir dos estádios qualquer sinal LGBT, etc.?”.

O debate também ganhou repercussão fora da França. Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, o ex-treinador da seleção do Senegal, Claude Le Roy, mencionou as dificuldades que torcedores africanos podem enfrentar para obter vistos de entrada nos Estados Unidos durante o Mundial. Segundo ele, seria legítimo “se perguntar se não seria o caso de convocar um boicote à Copa do Mundo de 2026, diante do comportamento de Donald Trump em relação ao continente”.

No Reino Unido, a discussão chegou ao Parlamento. O deputado conservador Simon Hoare declarou que uma eventual retirada da seleção inglesa da Copa poderia ser considerada como forma de pressão política sobre o presidente dos Estados Unidos. “(Trump) é sensível, tem um ego inflado e não gosta de passar vergonha. A visita de Estado (do Rei Charles aos EUA) deve acontecer? As seleções de futebol devem jogar em estádios americanos na Copa do Mundo? Essas são coisas que envergonhariam o presidente em casa. É necessário combater fogo com fogo”, disse.

Artigos Relacionados