França quer exército da Otan na Groenlândia
Governo de Emmanuel Macron reage às ameaças de Trump e diz que está disposto a contribuir com o exercício militar
247 - A França manifestou oficialmente o interesse em que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) realize um exercício militar na Groenlândia, em um contexto de crescente tensão internacional envolvendo o futuro do território autônomo da Dinamarca e as ambições estratégicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa francesa ocorre em meio ao debate sobre a segurança no Ártico e o papel das potências ocidentais na região.
De acordo com a Presidência francesa, Paris está pronta para participar ativamente da operação. “A França está solicitando um exercício da Otan na Groenlândia e está preparada para contribuir com ele”, declarou o Palácio do Eliseu, ao confirmar a posição do governo de Emmanuel Macron sobre a necessidade de maior coordenação militar na área.
A movimentação acontece após Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, intensificar declarações em defesa da anexação da Groenlândia. Desde que retornou à Casa Branca, há um ano, o líder republicano sustenta que “precisa” da ilha por razões de segurança nacional, alegando que o território é fundamental para conter a influência da Rússia e da China no Ártico, região considerada estratégica por suas riquezas minerais e posição geopolítica.
Na semana passada, França, Alemanha e Reino Unido enviaram um pequeno contingente de soldados para uma missão de reconhecimento no território groenlandês. A ação teve como objetivo preparar um exercício militar organizado pela Dinamarca com países aliados, mas fora da estrutura formal da Otan, o que excluiu a participação direta dos Estados Unidos.
A iniciativa europeia, no entanto, provocou forte reação de Washington. Donald Trump ameaçou impor tarifas de até 25% a oito países europeus que se posicionaram contra seus planos para a Groenlândia, ampliando o clima de tensão diplomática entre os aliados históricos.
Para o governo francês, a realização de um exercício oficialmente vinculado à Otan teria um significado político e estratégico maior. A avaliação em Paris é que a operação permitiria envolver diretamente os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, demonstrar que os países europeus estão comprometidos com a segurança e a estabilidade do Ártico diante da crescente disputa entre grandes potências pela região.


