Ouro bate recorde com escalada da crise da Groenlândia e pressão de Trump em Davos
Metal sobe mais de 2% após declarações do presidente dos EUA sobre “não haver volta” no plano de tomar território dinamarquês
247 – O ouro atingiu um recorde histórico nesta quarta-feira, impulsionado pela escalada de tensões geopolíticas envolvendo a Groenlândia e a chegada de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O movimento reflete a busca de investidores por proteção diante do agravamento da crise diplomática entre Washington e governos europeus. As informações são do jornal Financial Times.
De acordo com a reportagem, o impasse sobre a tentativa de Trump de tomar a Groenlândia da Dinamarca jogou a aliança transatlântica em sua maior crise em décadas. O cenário elevou a sensação de instabilidade global e pressionou os mercados, com o ouro avançando mais de 2% em um único dia.
Trump leva crise a Davos e avião presidencial tem problema técnico
Trump está programado para discursar em Davos ainda nesta quarta-feira, mas sua chegada ao evento ficou inicialmente ameaçada por um incidente com o avião presidencial. Segundo a Casa Branca, a aeronave Air Force One precisou retornar a Washington por causa de “um pequeno problema elétrico”. O presidente norte-americano seguiu então para a Suíça em outro avião.
Antes da viagem, Trump afirmou na terça-feira que havia “concordado com uma reunião das várias partes” em Davos para tratar do impasse envolvendo a Groenlândia. A expectativa é que o encontro amplie a pressão sobre os europeus e intensifique o clima de tensão no fórum, que reúne lideranças políticas e empresariais de todo o mundo.
“Não pode haver volta”: Trump endurece discurso sobre a Groenlândia
O ponto mais explosivo da crise veio com a declaração direta de Trump sobre sua intenção de tomar o território dinamarquês. Segundo o Financial Times, o presidente disse que “não pode haver volta” em seu plano de tomar a Groenlândia.
A frase foi recebida como uma escalada agressiva, com potencial de aprofundar o desgaste diplomático entre os Estados Unidos e aliados europeus, especialmente a Dinamarca. O episódio também fortaleceu a percepção de que o conflito pode se arrastar e produzir impactos econômicos e estratégicos de longo prazo.
Ameaça de tarifas e medo de guerra comercial pairam sobre Davos
A crise geopolítica ocorre em paralelo a uma nova ameaça comercial. Trump também vem pressionando governos europeus com a possibilidade de impor tarifas de 10% sobre oito países europeus que enviaram militares à Groenlândia recentemente, segundo o jornal britânico.
Embora governos europeus tenham evitado retaliar até aqui, o temor de guerra comercial passou a rondar Davos, reforçando o clima de insegurança entre investidores, empresas e representantes de governos.
Ouro dispara como refúgio e dólar fica estável
O resultado imediato dessa combinação de ameaças foi sentido no mercado financeiro. O ouro subiu mais de 2% e bateu recorde, num movimento típico de busca por proteção em momentos de crise internacional.
O dólar, por sua vez, permaneceu estável depois de ter recuado na terça-feira frente a uma cesta de moedas de parceiros comerciais, ainda conforme o Financial Times. A reação indica que o mercado está recalibrando expectativas diante do risco de choques comerciais e diplomáticos entre potências e aliados históricos.
Dinamarca e União Europeia prometem reação “firme” e “inflexível”
Diante da pressão dos Estados Unidos, autoridades europeias reagiram com declarações que indicam endurecimento político. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que seu país precisava “manter-se firme”. Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que Bruxelas responderia de forma “inflexível” à pressão norte-americana.
As declarações sinalizam que, apesar da cautela em relação a retaliações imediatas, a Europa tenta sustentar uma posição de resistência à ofensiva de Trump, especialmente num tema que envolve soberania territorial, presença militar e equilíbrio estratégico no Ártico.
Crise política vira choque econômico e alimenta instabilidade global
A alta do ouro em meio à crise da Groenlândia revela como decisões políticas podem rapidamente se transformar em turbulência econômica global. Quando o conflito envolve um aliado europeu, ameaça de tarifas e ruptura de confiança, cresce o temor de que o sistema internacional entre em um período mais instável, com impacto em investimentos, comércio e cadeias de suprimentos.
Ao levar a disputa para Davos, Trump transforma o fórum em palco de uma crise de grandes proporções, que já pressiona governos europeus e altera o humor dos mercados. E, enquanto a diplomacia se move sob tensão, o ouro volta a cumprir seu papel histórico: o de abrigo diante do risco e da incerteza.


