Presidente da Fifa cobra 'responsabilização' após caso de racismo contra Vini Jr.
Em partida entre Benfica e Real Madrid pela Champions League, Vini acusou Prestianni de racismo
247 - O presidente da Fifa, Gianni Infantino, manifestou-se nesta quarta-feira (18) sobre o episódio de racismo envolvendo o atacante brasileiro Vinícius Júnior na partida entre Real Madrid e Benfica, válida pela ida da repescagem da Liga dos Campeões. Em publicação nas redes oficiais da entidade máxima do futebol, o dirigente afirmou estar “chocado e triste” com o ocorrido e defendeu a responsabilização dos envolvidos.
No comunicado, Infantino reiterou que não há espaço para discriminação no esporte e destacou a importância de medidas concretas diante de denúncias dessa natureza. O caso ocorreu no Estádio da Luz e provocou a paralisação do jogo após o protocolo antirracismo ser acionado pelo árbitro francês François Letexier.
“Fiquei chocado e triste ao ver o incidente de alegado racismo contra Vinícius Júnior no jogo da Liga dos Campeões da UEFA entre SL Benfica e Real Madrid CF. Não há absolutamente nenhum espaço para racismo em nosso esporte e na sociedade – precisamos que todas as partes interessadas relevantes tomem medidas e responsabilizem os culpados”, declarou Infantino.
O presidente da Fifa também ressaltou as ações institucionais da entidade no enfrentamento à discriminação. “Na FIFA, por meio da Iniciativa Global contra o Racismo e do Painel de Voz dos Jogadores, estamos comprometidos em garantir que jogadores, árbitros e torcedores sejam respeitados e protegidos, e que as medidas apropriadas sejam tomadas quando incidentes ocorrerem”, afirmou. Ele ainda elogiou a atuação da arbitragem: “Parabenizo o árbitro François Letexier por acionar o protocolo antirracismo ao usar o gesto com o braço para interromper a partida e lidar com a situação. A FIFA e o futebol demonstram total solidariedade às vítimas do racismo e de qualquer forma de discriminação. Continuarei a reiterar: Não ao racismo! Não a qualquer forma de discriminação!”.
O episódio teve início após Vinícius Júnior marcar um gol e comemorar próximo à bandeirinha de escanteio, em frente à torcida portuguesa. A celebração gerou confusão e resultou em cartão amarelo aplicado por Letexier. Em seguida, o atacante brasileiro denunciou que o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, teria proferido a palavra “mono” — termo em espanhol que significa “macaco” — enquanto falava por baixo da camisa.
Após a denúncia, o árbitro ativou o protocolo antirracismo, interrompendo a partida por cerca de dez minutos. O ambiente no gramado ficou marcado por tensão entre jogadores e membros das comissões técnicas, enquanto o jogo permanecia paralisado. Até o apito final, Vinícius Júnior e outros atletas do Real Madrid seguiram sendo hostilizados.
Depois do confronto, Prestianni negou as acusações feitas pelo brasileiro e afirmou ter sido alvo de ameaças. “Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas contra o jogador Vinicius Junior, que infelizmente interpretou mal o que pensou ter ouvido. Nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid”, escreveu o jogador do Benfica em publicação nas redes sociais.


