Em seminário do Ineep, FUP defende transição energética com empregos e fortalecimento das estatais
Federação Única dos Petroleiros quer que mudança na matriz energética sirva de alavanca para reindustrialização e combate a desigualdades regionais no País
247 - A Federação Única dos Petroleiros (FUP) marcou posição no debate sobre o futuro energético do país ao defender, em seminário promovido pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que a transição energética brasileira precisa ser conduzida com soberania, inclusão social e protagonismo do Estado — e não pode reproduzir os mesmos modelos excludentes que historicamente aprofundaram as desigualdades no Brasil. O evento, intitulado "Energia, Integração e Soberania — uma plataforma para o Brasil", ocorre nos dias 25 e 26 de março e reúne especialistas, pesquisadores e representantes do setor público e do movimento sindical.
A posição da entidade foi defendida pelo coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, durante o painel "Relações de Trabalho, Digitalização e Transição Justa". O painel contou ainda com a participação de Adriana Marcolino, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Fabiola Latino Antezano, da Central Única dos Trabalhadores (CUT); e Felipe Pateo, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com mediação de Lucas Pordeus, da Agência Brasil.
Transição energética em disputa
Para Bacelar, o processo de mudança na matriz energética não é neutro — ele está em disputa, e o Brasil precisa construir seu próprio caminho. Segundo o dirigente, esse percurso deve estar articulado a uma política industrial de longo prazo, com investimentos consistentes em pesquisa, desenvolvimento e inovação, além do papel central das empresas estatais nesse processo.
"A transição energética no Brasil exige um olhar atento às diferenças tecnológicas e às potencialidades regionais, sob pena de reproduzir desigualdades e comprometer sua eficácia. Em um país de dimensões continentais, não há solução única — as rotas tecnológicas precisam dialogar com as vocações locais", afirmou o coordenador-geral da FUP.
Na avaliação de Bacelar, cabe ao Estado coordenar esse processo, articulando inovação tecnológica com desenvolvimento regional, de forma que a transição não se limite a reduzir emissões de gases do efeito estufa, mas também gere empregos de qualidade, renda e soberania, respeitando as realidades distintas de cada território do país.
Industrialização nacional como meta
Um dos pontos centrais da fala do dirigente foi a defesa de que a transição energética seja aproveitada como oportunidade histórica para internalizar o desenvolvimento tecnológico no Brasil. "É importante o Brasil aproveitar a oportunidade para internalizar esse desenvolvimento tecnológico gerado pela transição energética. Que seja um processo de industrialização nacional", completou Bacelar.
A FUP também chamou atenção para a necessidade de investimentos em qualificação profissional e ampliação dos serviços públicos, além do combate à pobreza energética. A entidade defende ainda o reforço da proteção social às comunidades mais vulneráveis aos impactos da crise climática — populações que, historicamente, são as primeiras a sofrer as consequências das mudanças ambientais e as últimas a se beneficiar das políticas de transição.
Participação dos trabalhadores
Outro eixo destacado pela FUP no seminário foi o fortalecimento do diálogo social. Para a entidade, trabalhadores e sociedade civil precisam ter participação ativa e permanente na definição dos rumos da política energética nacional — e não apenas serem comunicados das decisões já tomadas pelos governos e pelo setor privado.
O seminário do Ineep segue nesta quinta-feira (26) com novos painéis sobre os desafios da transição energética e seus impactos no desenvolvimento do Brasil, reunindo vozes do setor público, da academia e do movimento sindical em torno de um dos temas mais estratégicos da agenda nacional.

