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Alta do diesel expõe abusos na cadeia de combustíveis, afirma FUP

Federação aponta privatizações, dependência externa e margens abusivas como fatores centrais da escalada de preços nas bombas

FUP e combustíveis (Foto: Reprodução | Reuters)

247 - A recente alta do diesel no Brasil reacendeu o debate sobre o funcionamento da cadeia de combustíveis e seus impactos diretos na economia. Mesmo com medidas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como a zeragem de tributos federais para conter os preços, fatores estruturais seguem pressionando os valores nas bombas. A avaliação é da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que critica distorções acumuladas ao longo dos últimos anos no setor.

De acordo com a entidade, políticas adotadas em governos anteriores, aliadas à perda de controle público sobre etapas estratégicas da cadeia, contribuíram para o cenário atual. A FUP sustenta que a dependência de importações e a atuação de agentes privados ampliam a volatilidade dos preços e reduzem a capacidade de intervenção do Estado.

Falta de controle na cadeia amplia preços

A diretora da FUP, Cibele Vieira, afirma que o principal problema está na ausência de controle público sobre toda a cadeia de combustíveis. Segundo ela, embora a Petrobras atue na formação de preços nas refinarias, não há influência sobre as etapas seguintes.

“A Petrobrás pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, declarou.

Herança do PPI e mudanças recentes

A federação aponta que a situação se agravou a partir de 2016, com a implementação do Preço de Paridade de Importação (PPI) durante o governo Michel Temer (MDB), política mantida pelo governo Jair Bolsonaro (PL). Esse modelo atrela os preços internos às oscilações internacionais, mesmo com o Brasil sendo produtor relevante de petróleo.

A partir de 2023, a Petrobras passou a adotar uma política mais flexível, com o objetivo de reduzir a volatilidade e proteger o mercado interno. Ainda assim, a estatal não controla o preço final ao consumidor, o que limita o alcance das mudanças.

Dados mostram impacto nas bombas

Em meio à escalada internacional dos preços do petróleo, influenciada pelas agressões militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o governo federal anunciou em 12 de março a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel. No dia seguinte, a Petrobras realizou um reajuste, enquanto a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgou dados ainda sem refletir totalmente os efeitos das medidas.

Segundo a ANP, entre as semanas de 1º a 7 de março e de 8 a 14 de março, a gasolina subiu 2,5%, o diesel S500 aumentou 11,8% e o diesel S10 registrou alta de 12%.

Levantamento do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), com base em dados da ANP entre janeiro e março de 2026, mostra diferenças expressivas entre modelos de precificação. Enquanto o diesel da Petrobras permaneceu estável em R$ 3,30, o valor baseado no PPI saltou de R$ 3,19 para R$ 5,32. Refinarias privatizadas seguiram a mesma tendência de alta.

Privatização e impacto econômico

Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, os números evidenciam os efeitos da privatização no setor energético. “Esse levantamento mostra, de forma concreta, o que está em jogo quando se abre mão do controle público de áreas estratégicas como a energia. Enquanto a Petrobrás busca proteger o país das oscilações internacionais, empresas privadas repassam imediatamente qualquer alta ao consumidor, visando ampliar margens de lucro. É a prova de que a soberania energética impacta diretamente no bolso da população e na estabilidade da economia”, afirmou.

Bacelar também destacou os efeitos amplos do aumento do diesel sobre a economia. “Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, disse.

Dependência externa mantém pressão

A FUP ressalta que o Brasil ainda importa entre 20% e 25% do diesel consumido, reflexo da redução de investimentos em refino e da venda de refinarias nos últimos anos. Além disso, a privatização da BR Distribuidora, atualmente sob controle da Vibra Energia, diminuiu a capacidade da Petrobras de atuar diretamente na distribuição.

Segundo a entidade, esse conjunto de fatores mantém os preços finais sob pressão, mesmo com mudanças na política de preços da estatal, evidenciando a influência de agentes privados ao longo da cadeia de combustíveis.

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