Home office eleva produtividade em 20%, mas tem limite, aponta estudo alemão
Pesquisa indica que modelo híbrido pode aumentar desempenho e bem-estar, enquanto excesso de dias em casa reduz cooperação e interação profissional
247 - O trabalho remoto pode ser significativamente mais eficiente do que o presencial, mas não funciona da mesma forma em qualquer intensidade. Um estudo realizado na Alemanha apontou que o home office é, em média, 20% mais produtivo do que o trabalho no escritório, ao analisar durante dois anos o desempenho de 11 mil funcionários. A pesquisa foi encomendada por uma seguradora de saúde alemã e identificou um ponto de inflexão importante na rotina remota, relata reportagem da DW Brasil.
De acordo com os pesquisadores do instituto Fraunhofer IAO, em parceria com a seguradora Techniker Krankenkasse, a produtividade no home office começa a cair quando o funcionário ultrapassa três dias por semana trabalhando em casa. A partir desse limite, o estudo indica que o desempenho pode ser impactado negativamente, principalmente pela perda de interação cotidiana entre colegas.
Os autores do levantamento destacam que o trabalho não se resume ao cumprimento individual de tarefas. Parte relevante das atividades profissionais depende de cooperação, troca de informações e construção coletiva de soluções, algo que tende a ocorrer com mais facilidade no ambiente presencial.
Nesse cenário, o escritório aparece como um espaço que favorece não apenas a organização do fluxo de trabalho, mas também a interação profissional e social, considerada essencial para manter a produtividade em níveis elevados ao longo do tempo.
Apesar disso, o estudo reforça que não se sustenta a visão de que funcionários produzem menos quando trabalham em casa. Pelo contrário: os dados apontam que o home office traz ganhos reais de desempenho, especialmente quando aplicado de forma equilibrada.
O levantamento surge em um momento em que diversas empresas voltam a pressionar por modelos totalmente presenciais. A pesquisa, porém, sugere que a estratégia mais eficiente pode estar no caminho intermediário: um modelo híbrido, que combine os benefícios do trabalho remoto com as vantagens da convivência no escritório.
Além de elevar a produtividade geral, o home office também aparece associado a melhorias na qualidade de vida. Segundo os resultados, 93% dos entrevistados afirmaram que trabalhar em casa contribui para equilibrar vida profissional e pessoal, enquanto 81% disseram que o regime remoto reduz o estresse e a tensão do cotidiano.
Ainda assim, os pesquisadores evitam apontar uma fórmula única para definir quantos dias devem ser destinados ao trabalho remoto. O estudo conclui que a proporção ideal entre casa e escritório varia conforme o perfil da empresa, o setor de atuação e o tipo de tarefa exercida por cada equipe.
A principal conclusão, portanto, é que o home office pode aumentar a eficiência e o bem-estar, mas precisa ser estruturado com limites e planejamento para não comprometer a colaboração e o ambiente de troca que sustenta parte essencial do trabalho moderno.


