Um terço dos brasileiros duvida da ida do homem à Lua, diz Datafolha
Pesquisa Datafolha mostra que 33% dos brasileiros questionam a ida do homem à Lua às vésperas da missão Artemis II da Nasa
247 - Uma parcela significativa da população brasileira ainda questiona um dos feitos mais emblemáticos da história da ciência. Pesquisa do Datafolha aponta que 33% dos brasileiros com mais de 16 anos não acreditam que o homem já tenha chegado à Lua, justamente no momento em que a Nasa se prepara para retomar missões tripuladas ao redor do satélite natural da Terra após mais de meio século, informa o jornal O Globo.
Segundo o levantamento, 58% dos entrevistados consideram verdadeiro o pouso humano na Lua, enquanto 9% disseram não saber. A pesquisa ouviu 2.086 pessoas em 123 cidades brasileiras, nos dias 9 e 10 de fevereiro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O resultado evidencia a persistência de desconfiança sobre as missões do programa Apollo, realizadas entre as décadas de 1960 e 1970.
Nova missão reacende debate sobre exploração lunar
Os dados surgem às vésperas da missão Artemis II, que marcará o retorno de astronautas ao entorno da Lua. Prevista para lançamento a partir de 1º de abril, na Flórida, a missão terá duração aproximada de dez dias e não prevê pouso, mas sim um sobrevoo do satélite, em trajetória semelhante à realizada pela Apollo 8 em 1968.
A tripulação será composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, dos Estados Unidos, além do canadense Jeremy Hansen. A missão também traz marcos históricos: Glover será o primeiro astronauta negro a participar de uma missão lunar, Koch será a primeira mulher e Hansen o primeiro não americano a integrar esse tipo de voo.
Objetivo é preparar futuras viagens a Marte
Mais do que simbolismo, a Artemis II tem caráter técnico estratégico. A missão será a primeira a testar com humanos o foguete SLS (Space Launch System) e a cápsula Orion, elementos centrais do programa Artemis. O objetivo é validar tecnologias necessárias para voos mais longos, incluindo futuras missões a Marte.
O comandante Reid Wiseman destacou a importância da iniciativa ao afirmar: “Estamos voltando à Lua porque é o próximo passo em nossa jornada rumo a Marte”.
Antes de seguir rumo ao satélite, a missão realizará manobras próximas à Terra para testes de segurança. Em seguida, a nave percorrerá mais de 384 mil quilômetros até a Lua, incluindo um sobrevoo do lado oculto, período em que haverá interrupção das comunicações com o planeta.
Desafios técnicos e atrasos no programa
Apesar do avanço tecnológico, a missão envolve riscos relevantes. A nave ainda não foi testada com tripulação, e a distância a ser percorrida é significativamente maior do que a das operações na Estação Espacial Internacional. A expectativa é que a tripulação estabeleça um novo recorde de distância em relação à Terra, superando a marca da Apollo 13.
O programa Artemis enfrenta ainda desafios relacionados a custos e cronograma. O plano da Nasa prevê um novo pouso humano na Lua até 2028, mas o sucesso depende de tecnologias ainda em desenvolvimento, como o módulo de pouso, que será fornecido por empresas privadas ligadas aos empresários Elon Musk e Jeff Bezos.
Missão carrega legado simbólico
A Artemis II também carrega um forte simbolismo histórico. Em 1968, a missão Apollo 8 levou astronautas à órbita lunar na véspera de Natal, em uma transmissão assistida por cerca de um bilhão de pessoas. A tripulação ficou marcada pela icônica imagem “Earthrise”, da Terra surgindo no horizonte lunar.
Em um cenário contemporâneo de incertezas e divisões, a nova missão busca, além de avanços científicos, resgatar parte do impacto global que marcou as primeiras viagens espaciais tripuladas ao redor da Lua.


