Acusação dos EUA sobre testes nucleares chineses é pretexto para a retomada dos próprios testes nucleares, diz diplomata
Enviado chinês na ONU afirma que alegações dos Estados Unidos são infundadas e reforça compromisso de Pequim com tratado global
247 - A China classificou como infundadas as acusações feitas pelos Estados Unidos de que o país asiático realizou em 2020 um teste nuclear explosivo e afirmou que as alegações têm como objetivo criar justificativas para a retomada de testes nucleares por parte de Washington. A declaração foi feita por Li Song, representante permanente da China junto às Nações Unidas e a outras organizações internacionais em Viena.Segundo reportagem do Global Times, Li se manifestou após declarações do subsecretário de Estado dos EUA, Thomas Di Nanno, que acusou Pequim, durante a Conferência sobre Desarmamento em Genebra, de ter conduzido um teste nuclear em junho de 2020.
Em resposta às acusações, o secretário-executivo da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO), Robert Floyd, divulgou esclarecimento afirmando que o Sistema Internacional de Monitoramento da entidade não identificou qualquer evento compatível com as características de uma explosão de teste nuclear naquele período.
Li citou o posicionamento da CTBTO como prova de que as alegações norte-americanas não se sustentam. “Isso demonstra plenamente que a acusação dos EUA sobre testes nucleares chineses é completamente infundada”, afirmou o diplomata. Ele acrescentou que as ações dos Estados Unidos são “extremamente irresponsáveis e motivadas por segundas intenções, visando criar pretextos para a retomada de seus próprios testes nucleares”, ressaltando que a China “rejeita veementemente tais ações”.
O representante chinês também informou ter se reunido com Robert Floyd na terça-feira, ocasião em que voltou a contestar as acusações feitas por Washington. Segundo ele, a China reiterou “o firme compromisso e o apoio inabalável” ao Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT).
Li destacou que a China foi um dos primeiros países a assinar o tratado e que, desde a declaração de moratória sobre testes nucleares em 1996, cumpre rigorosamente seus compromissos. “Jamais realizou qualquer atividade que violasse suas obrigações”, afirmou. De acordo com o diplomata, o país tem recebido reconhecimento da comunidade internacional por defender o consenso global em favor da proibição de testes nucleares.
O enviado chinês também dirigiu críticas diretas a Washington. Ele instou os Estados Unidos, que possuem um vasto arsenal nuclear, a assumirem sua “responsabilidade especial e primordial pelo desarmamento nuclear”, conforme o entendimento internacional consolidado ao longo dos anos.
“A manobra dos EUA de distorcer e difamar a política nuclear da China é essencialmente parte de sua manipulação política para buscar a supremacia nuclear e se esquivar de sua própria responsabilidade pelo desarmamento nuclear”, enfatizou Li. Ele acrescentou ainda que “os Estados Unidos são a maior fonte de perturbação da ordem nuclear internacional e da estabilidade estratégica global”.
Por fim, o diplomata afirmou que a China defende a renovação do compromisso dos cinco Estados detentores de armas nucleares com a moratória dos testes e a manutenção do consenso internacional contra explosões nucleares. Segundo Li, Pequim segue comprometida com o desenvolvimento pacífico e adota uma estratégia nuclear de autodefesa, sustentando que sua política contribui para a estabilidade de longo prazo e para a preservação da paz e da segurança internacionais.



