China acelera energia eólica offshore e consolida liderança global em transição energética
Entrada em operação de parque em Hainan reforça avanço tecnológico chinês e amplia aposta em eletricidade limpa no mar
247 – A China entrou em uma nova etapa de expansão da energia eólica offshore, com a conexão à rede elétrica dos primeiros aerogeradores do parque eólico marítimo Qiyuan, na província de Hainan, no sul do país. O movimento reforça a estratégia chinesa de ampliar o uso de fontes renováveis, acelerar a transição energética e consolidar sua posição de liderança global em tecnologias de geração limpa.
Segundo reportagem publicada pelo Global Times, com base em informações do People’s Daily, os primeiros equipamentos do projeto da Longyuan Power, subsidiária da China Energy Investment Corporation (CHN Energy), começaram a gerar eletricidade após a rotação inicial de uma turbina com altura do cubo de 139,4 metros e pás de 118 metros. O empreendimento é apresentado como mais um passo decisivo na corrida chinesa para ampliar sua capacidade de geração de energia renovável em alto-mar.
O parque eólico de Qiyuan terá, ao todo, 22 turbinas de 10 megawatts e outras 20 unidades de 14 megawatts. Quando estiver plenamente em operação, deverá fornecer mais de 1,5 bilhão de quilowatts-hora de eletricidade limpa por ano. De acordo com a reportagem, esse volume equivale à economia de cerca de 467 mil toneladas de carvão e à redução anual de 1,271 milhão de toneladas de emissões de dióxido de carbono.
O projeto simboliza não apenas o aumento da oferta de energia limpa, mas também o amadurecimento tecnológico da indústria chinesa. Em declaração reproduzida pela reportagem, Li Hao, vice-gerente geral da filial da CHN Energy Longyuan Power em Hainan, afirmou que as turbinas de 14 megawatts estão sendo colocadas em operação pela primeira vez. Ele também destacou o emprego de soluções técnicas voltadas à preservação ambiental, afirmando que tecnologias como perfuração direcional horizontal, combinadas com levantamentos assistidos por drones, foram adotadas para proteger de forma eficaz o ecossistema do fundo do mar.
Avanço tecnológico impulsiona competitividade chinesa
A expansão da energia eólica offshore chinesa ocorre em um contexto de forte avanço tecnológico e de crescente competitividade internacional. Ainda segundo a reportagem, a instalação de uma turbina offshore de 20 megawatts estabeleceu um novo recorde mundial de maior capacidade unitária em operação em ambiente marinho real.
Além disso, a China também concluiu a montagem integrada da primeira turbina eólica offshore flutuante de 16 megawatts do mundo, com diâmetro do rotor de 252 metros. O dado reforça a dimensão da liderança chinesa no segmento de equipamentos de grande porte e evidencia o ritmo de inovação doméstica em um setor considerado estratégico para os próximos anos.
A reportagem aponta que as turbinas offshore chinesas de grande capacidade já ocupam a dianteira global, enquanto as tecnologias nacionais seguem alcançando novos avanços. Ao mesmo tempo, a geração eólica offshore flutuante entrou na fase de testes e demonstração, abrindo espaço para a exploração futura de áreas marítimas mais profundas e distantes da costa.
Capacidade instalada cresce em ritmo acelerado
Dados divulgados pela Administração Nacional de Energia da China mostram a dimensão desse avanço. Até o fim de fevereiro deste ano, a capacidade instalada total de energia eólica no país chegou a 650 milhões de quilowatts, o que representa crescimento de 22,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No caso específico da energia eólica offshore, a capacidade acumulada conectada à rede já superou 47 milhões de quilowatts. Com isso, a China mantém, pelo quinto ano consecutivo, a liderança mundial no setor. O desempenho confirma a centralidade da energia renovável na estratégia de desenvolvimento do país, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis sem abrir mão da segurança energética e da expansão industrial.
Esse crescimento não está restrito à instalação de novos equipamentos. As regiões costeiras chinesas vêm acelerando a organização de cadeias industriais completas ligadas à energia eólica no mar. Isso inclui desde a fabricação de turbinas e componentes até serviços de construção, instalação, operação e manutenção.
Bases industriais fortalecem cadeia produtiva
A formação de polos industriais especializados é um dos pilares da estratégia chinesa. Em Yancheng, na província de Jiangsu, no leste do país, a capacidade de montagem de turbinas offshore responde por aproximadamente 40% do total nacional, enquanto a produção de pás representa cerca de 20%.
Já em Shantou, na província de Guangdong, no sul da China, autoridades locais avançam em modelos diversificados de aproveitamento da energia eólica offshore. Entre as iniciativas em estudo estão combinações entre geração eólica e produção de hidrogênio e amônia, em uma tentativa de criar um cluster de fabricação de equipamentos eólicos de alto padrão com relevância mundial.
Esse movimento mostra que a aposta chinesa na energia eólica offshore não se limita à produção de eletricidade. Trata-se também de uma política industrial robusta, capaz de estimular inovação, gerar empregos, criar cadeias produtivas sofisticadas e ampliar a autonomia tecnológica do país em um setor-chave da economia verde.
China mira águas profundas e nova expansão até 2030
Com o avanço das tecnologias nacionais e a melhoria da viabilidade econômica dos projetos, a China já concentra mais da metade da capacidade instalada acumulada de energia eólica offshore do mundo. O dado reforça o peso do país em um mercado decisivo para o futuro da matriz energética global.
Durante o período do 15º Plano Quinquenal, entre 2026 e 2030, a China pretende desenvolver bases de energia eólica offshore nos mares de Bohai, Amarelo, do Leste da China e do Sul da China. A expansão para águas profundas e áreas mais distantes da costa deverá ocorrer de forma ordenada, com expectativa de que a capacidade acumulada conectada à rede supere 100 milhões de quilowatts.
A próxima etapa, segundo a reportagem, envolverá maior apoio político à exploração da energia eólica em águas profundas e em regiões mais afastadas do litoral. Um representante do departamento de novas energias e energias renováveis da Administração Nacional de Energia afirmou, de acordo com o texto, que os próximos passos incluirão o fortalecimento do apoio regulatório, a promoção de um desenvolvimento padronizado e ordenado da energia eólica offshore e a priorização do início da construção de vários projetos em águas profundas e mar aberto.
Transição energética ganha novo impulso
A entrada em operação do parque de Qiyuan sintetiza um processo mais amplo: a conversão da energia eólica offshore em um dos principais motores da transição energética chinesa. Ao combinar escala industrial, inovação tecnológica, proteção ambiental e planejamento estatal de longo prazo, a China acelera sua capacidade de transformar o mar em uma das bases mais importantes de sua matriz elétrica.
Mais do que um projeto isolado, Qiyuan representa a consolidação de uma estratégia nacional. Em meio à pressão global por descarbonização e segurança energética, a China amplia sua presença em um setor decisivo e sinaliza que pretende manter a dianteira tanto na geração de energia limpa quanto no domínio das tecnologias que moldarão a economia do futuro.



