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China amplia contramedidas para conter o neomilitarismo japonês

Pequim mira entidades ligadas ao militarismo do Japão e afirma que novas restrições buscam proteger a segurança regional

China amplia contramedidas para conter o neomilitarismo japonês (Foto: Global Times)
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247 - A China tomou novas medidas contra o neomilitarismo do Japão ao incluir 40 organizações desse país em novas listas de controle e vigilância. A ação, segundo editorial do Global Times, busca conter iniciativas militares consideradas provocativas e proteger a segurança chinesa, além da estabilidade regional na Ásia-Pacífico.

De acordo com o Global Times, o Ministério do Comércio da China colocou 20 entidades japonesas, entre elas o Instituto Nacional de Estudos de Defesa, em uma lista de controle de exportações. Outras 20 organizações, incluindo a MITSUI E&S Co., Ltd., foram incluídas em uma lista de vigilância. Trata-se do segundo lote de designações anunciado por Pequim, após medidas iniciais divulgadas em 24 de fevereiro.

A nova rodada de restrições tem como alvo instituições de pesquisa militar e empresas consideradas estratégicas para o complexo industrial militar japonês. A medida busca atingir áreas centrais da modernização militar do Japão, como pesquisa, desenvolvimento, desenho de armamentos e atualização tecnológica.

O editorial afirma que, diferentemente da primeira lista, voltada principalmente ao setor manufatureiro, a nova ação mira o “cérebro” da estrutura de defesa japonesa. Pequim sinaliza, assim, que poderá ampliar as restrições caso avalie que Tóquio mantenha iniciativas de reforço militar consideradas ameaçadoras.

A decisão ocorre em meio ao aumento da tensão entre China e Japão em torno de temas de segurança, cadeias de suprimentos e capacidades militares. Segundo relatos citados pela imprensa japonesa, exportações de materiais essenciais para ímãs de alto desempenho, como disprósio e térbio, foram zeradas para o Japão. O fornecimento de produtos relacionados ao tungstênio também teria sido interrompido.

Esses insumos são relevantes para setores de alta tecnologia, defesa e manufatura avançada. Instituições japonesas estimaram que uma interrupção de um ano nas importações de terras raras chinesas, somada a restrições sobre componentes, poderia provocar uma contração de aproximadamente 1,3% no PIB real do Japão, o equivalente a cerca de 7 trilhões de ienes, ou US$ 43 bilhões.

Para Pequim, esses números evidenciam a dependência japonesa das cadeias de suprimentos chinesas. O editorial sustenta que o Japão não pode, ao mesmo tempo, classificar essa dependência como uma “ameaça à segurança vinda da China” e esperar que Pequim mantenha fornecimentos sem restrições. A posição chinesa é de que seus recursos e seu mercado não podem alimentar uma estrutura militar que ameaça sua soberania.

O texto do Global Times afirma que as duas rodadas de medidas têm o mesmo objetivo: conter a “remilitarização” do Japão e eventuais ambições relacionadas à capacidade nuclear. Pequim avalia que a primeira ação, em fevereiro, atingiu um ponto sensível em Tóquio, mas que o governo japonês teria intensificado sua agenda militar em vez de recuar.

O editorial também acusa o Japão de tentar apresentar a China como agente de coerção em fóruns multilaterais, ao mesmo tempo em que busca reorganizar cadeias de suprimentos internacionais com menor participação chinesa. Para Pequim, há uma relação direta entre as ações japonesas e as contramedidas adotadas pelo governo chinês.

A China enquadra o atual movimento japonês como “neomilitarismo”, conceito usado pelo editorial para diferenciar a atual política de defesa de Tóquio do militarismo explícito do período anterior à Segunda Guerra Mundial. Segundo essa interpretação, o risco atual estaria em uma expansão militar gradual, institucionalizada e apresentada sob linguagem compatível com o sistema político do pós-guerra.

O texto afirma que expressões como “fortalecimento das capacidades de autodefesa”, “aliança Japão-EUA” e “enfrentamento de ameaças comuns” substituiriam antigas justificativas de expansão militar. Para Pequim, essa reformulação tornaria o processo mais discreto, mas não menos perigoso.

O editorial sustenta que as medidas chinesas são “direcionadas, comedidas e totalmente compatíveis com a lei”. A lista de controle impõe restrições mais rígidas, enquanto a lista de vigilância cria pressão regulatória permanente sobre entidades japonesas ligadas a atividades sensíveis. A China afirma que o objetivo é incentivar empresas e instituições a se desvincularem de iniciativas militares.

Pequim também afirma que as restrições se aplicam apenas a um grupo limitado de entidades japonesas e a itens de dupla utilização, sem comprometer o comércio regular entre os dois países. Segundo o editorial, empresas japonesas que atuem de forma legal e de boa-fé não teriam motivo para preocupação.

A mensagem política é clara: a China afirma que não fará concessões diante do avanço militar japonês. O editorial sustenta que a paz e a prosperidade da região Ásia-Pacífico foram construídas ao longo de décadas e não devem ser colocadas em risco por iniciativas de caráter militar.

Pequim deixa em aberto a possibilidade de melhora nas relações sino-japonesas caso o Japão “mude de rumo” e reavalie suas ações. Ao mesmo tempo, adverte que, se Tóquio continuar no caminho classificado como “neomilitarismo”, as contramedidas chinesas tendem a se tornar mais robustas e mais direcionadas.

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