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China e EUA buscam abrir novo capítulo nas relações bilaterais em 2026

Editorial do Global Times afirma que visita de Donald Trump a Pequim marcou avanço rumo a uma relação “construtiva, estável e estratégica”

China e EUA buscam abrir novo capítulo nas relações bilaterais em 2026 (Foto: Xinhua)
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247 – A visita de Estado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China foi concluída nesta sexta-feira, em Pequim, com a expectativa de que 2026 se torne um ano histórico para a abertura de um novo capítulo nas relações sino-americanas.

Segundo editorial publicado pelo Global Times, o encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping foi marcado por três eixos centrais: respeito mútuo, valorização da paz e busca por cooperação. O principal consenso político alcançado pelos dois chefes de Estado foi a construção de uma “relação China-EUA construtiva, de estabilidade estratégica”.

O editorial destaca que o entendimento chamou atenção internacional por reconhecer a complexidade e a importância da relação bilateral. O jornal cita análise do South China Morning Post segundo a qual a cúpula em Pequim sinaliza o início de relações construtivas e estáveis, não apenas em benefício dos povos chinês e norte-americano, mas também da comunidade internacional.

As “quatro estabilidades” propostas por Xi Jinping

De acordo com o texto, Xi Jinping apresentou o conceito de estabilidade estratégica a partir de quatro dimensões: uma estabilidade positiva, com a cooperação como eixo principal; uma estabilidade saudável, com competição moderada; uma estabilidade constante, com diferenças administráveis; e uma estabilidade duradoura, baseada em compromissos de paz.

Para analistas citados pelo editorial, essa formulação ultrapassa o antigo sentido de “estabilidade estratégica” associado à Guerra Fria e à gestão de crises entre grandes potências. O conceito passaria agora a oferecer uma nova estrutura para ampliar a cooperação pragmática, administrar divergências e permitir uma competição considerada saudável entre China e Estados Unidos.

O Global Times argumenta que essas quatro dimensões funcionam como uma rede de proteção para impedir que as relações bilaterais sejam dominadas por choques, confrontos ou risco de guerra. A previsibilidade entre as duas maiores economias do mundo, afirma o editorial, representa também um bem público para a comunidade internacional.

Superação da lógica de confronto

O texto sustenta que a nova definição das relações China-EUA responde à questão central sobre se os dois países devem se tratar como rivais ou parceiros. O editorial critica setores dos Estados Unidos que passaram a enxergar o desenvolvimento chinês como uma “ameaça”, defendendo políticas de contenção, desacoplamento econômico e ruptura de cadeias produtivas.

Para o Global Times, essa visão se mostrou equivocada. O jornal afirma que o crescimento da China é parte de uma tendência histórica e que tentativas de contenção estão fadadas ao fracasso. O editorial também sustenta que políticas de desacoplamento prejudicam ambos os lados.

A proposta de uma relação construtiva e de estabilidade estratégica, segundo o texto, busca superar a lógica de soma zero, em que o avanço de um país seria visto como prejuízo automático para o outro.

Trump diz que relação será “melhor do que nunca”

O editorial afirma que o lado norte-americano aceitou a construção de uma “relação China-EUA construtiva, de estabilidade estratégica” como novo marco para os laços bilaterais. Donald Trump declarou que as relações entre os dois países ficarão “melhores do que nunca”.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também citado no texto, afirmou que as relações bilaterais são importantes e construtivas, acrescentando que a estabilidade mundial é de interesse de todos.

Cooperação precisa sair do discurso

O Global Times afirma que a nova formulação não deve permanecer como um slogan, mas precisa ser transformada em objetivo comum e em ações concretas. Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e maiores economias do planeta, China e Estados Unidos, segundo o editorial, devem buscar coexistência pacífica e cooperação mutuamente benéfica com base no respeito mútuo.

O texto defende que os dois países ampliem a lista de áreas de cooperação e reduzam a lista de problemas, convertendo a estabilidade estratégica em políticas concretas e medidas práticas.

O editorial conclui que há razões para acreditar que 2026 poderá se tornar um ano histórico e decisivo para a abertura de um novo capítulo nas relações entre China e Estados Unidos.

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