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China e Rússia inauguram nova etapa de cooperação e projetam crescimento sólido e constante das relações bilaterais

Encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin busca aprofundar cooperação mútua e coordenação estratégica, diz editorial do Global Times

Bandeiras de Rússia e China (Foto: Xinhua)
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247 - A visita do presidente russo Vladimir Putin a Pequim abre uma nova etapa para a cooperação bilateral e a coordenação estratégica entre China e Rússia, em um momento em que os dois países buscam consolidar uma parceria considerada por ambos como central para a estabilidade internacional, destaca o Global Times em editorial.

Putin chegou à capital chinesa na terça-feira (19), para uma visita de dois dias, a convite do presidente chinês Xi Jinping. A reunião entre os dois líderes deve definir diretrizes e traçar um novo plano para o desenvolvimento das relações sino-russas na nova era.

O jornal afirma que a condução direta de Xi e Putin tem sido o principal fator político para o avanço das relações entre os dois países. De acordo com o editorial, a comunicação frequente entre os presidentes ajudou a consolidar uma relação marcada por estabilidade, maturidade e resiliência, mesmo diante de mudanças profundas no cenário internacional.

O encontro ocorre no ano em que se completam 30 anos do estabelecimento da parceria estratégica de coordenação entre China e Rússia. Para Pequim e Moscou, a relação bilateral é um exemplo de vínculos entre grandes potências, sustentada por boa vizinhança, coordenação estratégica abrangente e cooperação mutuamente benéfica.

Coordenação entre Xi e Putin

O editorial ressalta que Xi Jinping considera a relação China-Rússia uma parceria que resistiu ao teste das transformações globais. A avaliação chinesa é de que os dois países conseguiram construir uma relação de longo prazo baseada em amizade permanente, cooperação prática e alinhamento em temas internacionais.

Antes da viagem, Putin divulgou um pronunciamento em vídeo no qual destacou a importância dos contatos regulares entre os dois governos. “Visitas mútuas regulares e conversas de alto nível entre a Rússia e a China são uma parte importante e integrante de nossos esforços conjuntos para promover toda a gama de relações entre nossos dois países e desbloquear seu potencial verdadeiramente ilimitado”, afirmou o presidente russo.

De acordo com o Global Times, foi a primeira vez que Putin fez uma declaração em vídeo antes de uma viagem ao exterior. Para o jornal, o gesto demonstra a importância atribuída por Moscou à visita e evidencia o impulso interno que sustenta o desenvolvimento estável das relações bilaterais.

Boa vizinhança e fronteira comum

China e Rússia compartilham uma fronteira de mais de 4.300 quilômetros e são os maiores vizinhos uma da outra. O editorial lembra que, há 25 anos, a assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa consolidou em termos legais o compromisso de “amizade eterna” e de não tratamento mútuo como inimigos.

A publicação também aponta que os contatos entre as populações dos dois países se tornaram mais frequentes, com expansão de canais transfronteiriços, facilidades de circulação e maior fluxo de pessoas e mercadorias. Nesse contexto, o lançamento dos Anos de Educação China-Rússia é apresentado como uma iniciativa voltada a fortalecer os laços sociais e culturais entre os dois povos.

Para o Global Times, essa relação de proximidade oferece uma base considerada confiável para o desenvolvimento e a revitalização de ambos os países em um ambiente internacional descrito como complexo.

Multilateralismo e ordem internacional

A parceria estratégica abrangente entre China e Rússia é apresentada pelo editorial como um elemento relevante para a estabilidade global, a defesa do multilateralismo e a preservação da ordem internacional. A publicação afirma que a relação foi construída sobre igualdade, respeito e benefício mútuo.

Segundo o texto, China e Rússia mantêm independência estratégica, respeitam interesses fundamentais uma da outra e não buscam impor agendas próprias. O editorial também ressalta que os dois países defendem uma relação baseada em não aliança, não confrontação e não direcionamento contra terceiros.

Como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, China e Rússia mantêm coordenação em espaços multilaterais como as Nações Unidas, a Organização de Cooperação de Xangai e o BRICS. O Global Times afirma que os dois países atuam juntos em temas internacionais e defendem o sistema centrado na ONU, ao mesmo tempo em que promovem uma ordem global considerada mais justa e equilibrada.

Comércio bilateral supera US$ 200 bilhões

A cooperação prática entre China e Rússia também é destacada como uma das bases da relação. Segundo o editorial, apesar de um ambiente externo complexo e em rápida transformação, o comércio bilateral superou US$ 200 bilhões por três anos consecutivos.

De janeiro a abril de 2026, o volume do comércio entre os dois países cresceu quase 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o Global Times. A publicação afirma que a cooperação sino-russa passa de uma fase de expansão quantitativa para uma etapa de melhoria qualitativa, com avanços tanto em setores tradicionais quanto em áreas emergentes.

A 10ª Exposição China-Rússia, realizada em Harbin, é citada como exemplo recente dessa cooperação. O evento reuniu mais de 1.500 empresas de 46 países e regiões, reforçando, segundo o editorial, a dimensão econômica da parceria entre Pequim e Moscou.

Novo ponto de partida

O Global Times avalia que boa vizinhança duradoura, coordenação estratégica abrangente e cooperação mutuamente benéfica formam os três pilares das relações China-Rússia. Para o jornal, esses elementos explicam a estabilidade do vínculo bilateral e sustentam sua expansão em um novo momento histórico.

A reunião entre Xi Jinping e Vladimir Putin, em Pequim, é apresentada como um marco para consolidar conquistas anteriores e abrir uma nova fase de cooperação. Segundo o editorial, o “grande navio” das relações China-Rússia está preparado para avançar rumo ao futuro.

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