Editorial do Global Times critica versões antichinesas sobre a guerra dos EUA e Israel contra o Irã
Jornal critica acusações ocidentais e defende papel da China na busca por cessar-fogo e estabilidade no Oriente Médio
247 - O conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã chegou à terceira semana com cenário ainda marcado por elevada tensão e complexidade geopolítica. A escalada ocorreu após ataques conduzidos por Washington e Tel Aviv sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, culminando na morte do líder supremo iraniano e intensificando o risco de uma guerra de maiores proporções na região, destaca o jornal Global Times em editorial.
O texto afirma que, embora a China não participe do conflito, parte da mídia ocidental passou a explorar a crise para construir narrativas com o objetivo de desacreditar o país asiático. Segundo o veículo, essas interpretações se dividem em três linhas principais: a do “fracasso da China”, a da “responsabilidade da China” e a da “vitória da China”.
De acordo com o texto, a chamada narrativa do “fracasso” tenta sustentar que a estratégia chinesa no Oriente Médio estaria colapsando diante da crise envolvendo o Irã. O editorial rebate essa interpretação ao afirmar que o conflito resulta de ações militares unilaterais dos Estados Unidos e de Israel, sem relação com a atuação diplomática ou econômica de Pequim. A China, segundo o jornal, mantém cooperação com países da região baseada no respeito à soberania e não participa de alianças militares ou confrontos entre blocos.
Já a narrativa que atribui “responsabilidade” à China sustenta que, por manter relações com o Irã, o país deveria assumir algum tipo de protagonismo no conflito, inclusive adotando sanções ou tomando partido. O editorial rejeita essa tese e argumenta que tanto a China quanto o Irã são Estados soberanos, cujas relações seguem o direito internacional e não são direcionadas contra terceiros.
O texto também destaca iniciativas diplomáticas chinesas durante a crise. Entre 1º e 12 de março, autoridades chinesas mantiveram conversas telefônicas com chanceleres de 12 países e enviaram um representante especial ao Oriente Médio para conduzir negociações. No Conselho de Segurança da ONU, a China defendeu explicitamente o respeito à soberania e à integridade territorial dos países da região.
Segundo o editorial, essas ações foram reconhecidas por lideranças locais. Durante conversas com o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, autoridades do Catar e de Omã manifestaram expectativa de que a China desempenhe papel mais relevante na promoção de um cessar-fogo. Além disso, o país anunciou ajuda humanitária emergencial para o Irã, Jordânia, Líbano e Iraque, após contribuição inicial de US$ 200 mil via Cruz Vermelha chinesa.
Outra linha criticada pelo Global Times é a narrativa de uma suposta “vitória da China”, que sugeriria benefícios indiretos para o país diante do envolvimento dos Estados Unidos no conflito. O editorial argumenta que, em um cenário de economia globalizada, a guerra provoca impactos negativos generalizados, como alta nos preços de energia, instabilidade financeira e interrupções em rotas comerciais, sem gerar vencedores claros.
O texto sustenta que essas interpretações fazem parte de uma estratégia de transferir responsabilidades pela crise e legitimar ações militares, ao mesmo tempo em que enfraquecem esforços internacionais voltados à paz. Para o jornal, trata-se de uma tentativa de criar divisões entre países da região e a China.
Na avaliação apresentada, a posição chinesa permanece centrada na defesa de soluções regionais para os problemas do Oriente Médio, sem interferência externa. O editorial afirma que a prioridade deve ser a proteção de civis e a busca por diálogo e negociação como caminhos para encerrar as hostilidades e restabelecer a estabilidade.



