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Trump pede adiamento de encontro com Xi Jinping em meio à guerra no Irã

Presidente dos Estados Unidos solicita atraso de cerca de um mês em encontro com líder chinês devido à guerra no Irã

Donald Trump e Xi Jinping (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou que a China adie o encontro bilateral que estava previsto para ocorrer em Pequim nas próximas semanas com o presidente Xi Jinping. A decisão ocorre em meio à intensificação da guerra envolvendo o Irã, que tem exigido maior presença do governo norte-americano em Washington.

A informação foi divulgada pelo jornal Financial Times. Segundo a reportagem, Trump afirmou na segunda-feira (16) que pediu às autoridades chinesas o adiamento da viagem por aproximadamente um mês para poder acompanhar de perto o conflito em curso no Golfo.

Falando a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca, Trump declarou que prefere permanecer nos Estados Unidos enquanto a situação militar se desenrola. “Eu adoraria ir, mas por causa da guerra quero ficar aqui”, afirmou. O presidente acrescentou que o governo norte-americano solicitou a Pequim que a visita fosse adiada “por cerca de um mês”.

Trump também justificou o pedido de forma direta: “É muito simples. Eu tenho uma guerra em andamento.”

O encontro entre Trump e Xi vinha sendo aguardado como uma etapa importante nas relações entre as duas maiores economias do mundo. O presidente dos Estados Unidos deveria partir para Pequim em pouco mais de duas semanas, em sua primeira visita ao país desde 2017.

A possível mudança no calendário ocorre enquanto a Casa Branca enfrenta as consequências do conflito no Golfo, agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A interrupção do tráfego na região provocou forte impacto nos mercados de energia e contribuiu para a alta no preço dos combustíveis nos Estados Unidos.

Mesmo diante da turbulência econômica, Trump minimizou os efeitos do aumento no custo do petróleo. Segundo ele, as consequências no mercado representam “um preço muito pequeno a pagar” para impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

Questionado sobre a duração do conflito, o presidente afirmou que a guerra não deve terminar imediatamente, embora espere um desfecho em breve. “Será em breve. Não vai demorar, e vamos ter um mundo muito mais seguro”, disse. “Vai terminar logo.”

Antes do anúncio público do possível adiamento, Trump já havia mencionado ao Financial Times, no domingo (15), que avaliava postergar a viagem à China. Entre outros pontos, o presidente indicou que gostaria de saber se Pequim enviaria navios de guerra ao Estreito de Ormuz antes da data prevista para sua visita, inicialmente marcada para 31 de março.

No entanto, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou na segunda-feira (16) que qualquer eventual mudança no cronograma não estaria ligada a pedidos de participação militar chinesa na região. Segundo ele, a questão seria logística.

“Se a reunião por algum motivo for remarcada, será por questões logísticas”, declarou Bessent à emissora CNBC. “O presidente quer permanecer em Washington para coordenar o esforço de guerra e, em um momento como este, viajar ao exterior pode não ser o ideal.”

O pedido de adiamento ocorre após dois dias de negociações realizadas em Paris entre autoridades econômicas dos Estados Unidos e da China. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial norte-americano Jamieson Greer se reuniram com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, responsável pelas conversas comerciais com Washington.

Caso o encontro em Pequim seja efetivamente remarcado, a decisão também poderá afetar o cronograma de uma visita recíproca que Xi Jinping deve realizar aos Estados Unidos ainda neste ano.

Até o momento, a embaixada da China em Washington não respondeu a pedidos de comentário sobre o possível adiamento da cúpula.

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