Trump pressiona aliados a proteger Estreito de Ormuz
Presidente dos Estados Unidos pede coalizão internacional para garantir segurança da rota por onde passa 20% da energia mundial em meio à guerra com o Irã
247 - A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou a tensão em torno do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado aliados e grandes consumidores de petróleo a participar de uma coalizão internacional para proteger o tráfego de navios na região, mas a iniciativa encontrou resistência imediata de parceiros importantes como Japão e Austrália.
As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que relata que o pedido de Washington ocorre enquanto a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã entra na terceira semana e provoca forte instabilidade nos mercados globais de energia. Cerca de 20% da energia mundial passa pelo Estreito de Ormuz, o que transforma qualquer interrupção no fluxo em um fator de pressão sobre preços e cadeias de abastecimento.
Durante conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump defendeu que países que dependem fortemente do petróleo do Golfo devem assumir parte da responsabilidade pela segurança da região.
“Estou exigindo que esses países intervenham e protejam seu próprio território, porque é o território deles”, afirmou. “É de lá que eles tiram sua energia.”
O presidente dos Estados Unidos afirmou que seu governo já entrou em contato com sete países, sem revelar quais. Em uma publicação nas redes sociais no fim de semana, ele mencionou a possibilidade de participação de China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, além de outras nações.
Segundo a Reuters, a reação inicial entre aliados foi cautelosa. Os mercados asiáticos refletiram a tensão: o petróleo Brent subiu mais de 1%, ultrapassando US$ 104,50 por barril, enquanto bolsas da região registraram desempenho mais fraco diante do risco de ataques a instalações energéticas no Oriente Médio.
Japão cita limitações constitucionais
O Japão, um dos maiores importadores de petróleo da região — responsável por cerca de 95% do abastecimento energético do país — indicou que não pretende enviar navios de guerra para a área neste momento.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou no Parlamento que o governo ainda analisa quais medidas poderiam ser tomadas dentro das restrições impostas pela Constituição pacifista do país.
“Ainda não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a analisar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro da estrutura legal”, afirmou.
Austrália também descarta envio de embarcações
A Austrália, outro aliado estratégico dos Estados Unidos no Indo-Pacífico e também dependente de combustíveis produzidos com petróleo do Oriente Médio, adotou posição semelhante.
A ministra Catherine King, integrante do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese, afirmou em entrevista à emissora pública ABC que Camberra não recebeu solicitação formal para integrar uma missão naval.
“Sabemos o quão incrivelmente importante isso é, mas não é algo que nos foi pedido nem para o qual estamos contribuindo”, declarou.
Pressão sobre China e aliados europeus
Trump também ampliou a pressão sobre outros parceiros internacionais. Em entrevista ao Financial Times, o presidente dos Estados Unidos afirmou esperar que a China ajude a reabrir a rota marítima antes de um encontro previsto com o presidente chinês Xi Jinping em Pequim, no fim do mês.“Acho que a China deveria ajudar também porque recebe 90% do seu petróleo do estreito”, disse. “Podemos adiar”, acrescentou, ao mencionar a possibilidade de postergar a viagem caso Pequim não ofereça apoio.O governo norte-americano também tem pressionado aliados europeus e advertiu que a OTAN pode enfrentar um futuro “muito ruim” caso seus membros não colaborem com Washington na proteção da rota marítima.
Diplomatas europeus afirmaram que ministros das Relações Exteriores da União Europeia discutem o reforço de uma pequena missão naval no Oriente Médio, mas não se espera uma decisão imediata sobre ampliar a atuação até o Estreito de Ormuz.
Guerra eleva riscos para energia e transporte global
A crise se intensificou após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Desde então, o tráfego de petroleiros pelo estreito foi drasticamente reduzido, embora algumas embarcações iranianas e poucos navios de outros países ainda consigam atravessar a região.
O conflito também tem provocado impactos significativos na aviação global. Importantes centros aéreos do Oriente Médio, como Dubai, Doha e Abu Dhabi, enfrentam restrições operacionais, levando ao cancelamento de milhares de voos e deixando dezenas de milhares de passageiros retidos.
Autoridades vietnamitas alertaram ainda para possíveis reduções de voos a partir de abril, após China e Tailândia suspenderem exportações de combustível de aviação em decorrência da guerra.


