Irã apresentará três etapas para promover desescalada e solução política do conflito, diz enviado ao Global Times
A segunda etapa prevê o retorno à mesa de negociações, embora o embaixador Abdolreza Rahmani Fazli tenha afirmado que essa fase é difícil de alcançar
247 - Os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã entraram no 11º dia. O embaixador iraniano na China, Abdolreza Rahmani Fazli, apresentou na segunda-feira (9) um panorama da atual crise do país e das diretrizes de sua política externa. Em resposta a uma pergunta feita pelo Global Times durante a coletiva de imprensa, Fazli afirmou que, sob a liderança do novo líder supremo, o Irã defende a adoção de um esquema de “três etapas”, proposto por altos funcionários iranianos em uma conversa telefônica, para promover a desescalada e uma solução política.
Na coletiva realizada na segunda-feira na embaixada, ao responder à pergunta do repórter do Global Times — se, sob a liderança do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, o Irã continuará buscando resolver a crise por meios políticos e diplomáticos — Fazli afirmou que o país defende seguir o plano de três etapas proposto por autoridades iranianas para promover a desescalada e uma solução política para a atual situação.
A primeira etapa consiste em encerrar a guerra e alcançar um cessar-fogo. Segundo ele, o conflito deve ser interrompido inicialmente pela parte que o iniciou. Para isso, seria necessário adotar medidas que forcem os Estados Unidos e Israel a cessarem imediatamente todos os ataques militares.
A segunda etapa prevê o retorno à mesa de negociações, embora o embaixador tenha afirmado que essa fase é difícil de alcançar — quase impossível — “porque não confiamos mais nos Estados Unidos”. Ele acrescentou que isso só seria viável caso grandes potências mundiais e o Conselho de Segurança das Nações Unidas intervenham nas negociações e forneçam garantias vinculantes e invioláveis para assegurar que não ocorram novos atos de agressão durante o processo, além de estabelecer um mecanismo duradouro e confiável para proteger os resultados das negociações.
A terceira etapa, segundo Fazli, exige que todos os países se unam e cooperem para resistir conjuntamente ao unilateralismo e promover o desenvolvimento do multilateralismo.
“Com base no pleno respeito e implementação desses princípios, estamos dispostos a retomar o diálogo relevante”, afirmou o embaixador.
O enviado especial do governo chinês para questões do Oriente Médio, Zhai Jun, reuniu-se no domingo com o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Jasem Mohamed Albudaiwi, informou o Ministério das Relações Exteriores da China na segunda-feira.
Zhai afirmou que a China continuará desempenhando um papel construtivo e trabalhará com o CCG e os países do Golfo para promover ativamente a paz, encerrar as hostilidades e reduzir as tensões. O embaixador Fazli elogiou os esforços de mediação da China e expressou expectativas positivas em relação a eles.
“Recebemos com satisfação quaisquer medidas adotadas pela China que ajudem a encerrar a guerra e prevenir novas agressões. Como grande potência, a China exerce influência significativa na região e no mundo. Acreditamos e esperamos que, por meio do diálogo, a China possa incentivar as partes relevantes a exercer moderação, o que desempenhará um papel crucial na promoção de um cessar-fogo e na interrupção da agressão”, disse Fazli ao Global Times.



