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Visita de Keir Starmer a Pequim simboliza mudança de paradigma internacional e reforça o mundo multipolar

Editorial do Global Times aponta significado internacional da visita do primeiro-ministro britânico a Pequim

Bandeiras do Reino Unido e da China (Foto: Global Times )

247 - A visita oficial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à China, entre quarta-feira (28) e sábado, representa um marco relevante na reconfiguração das relações bilaterais entre Pequim e Londres e tem impacto global, assinala editorial do Global Times.

A viagem ocorre em um contexto internacional de profundas transformações geopolíticas e é acompanhada por uma expressiva delegação empresarial, com representantes de mais de 50 grandes empresas e instituições britânicas, evidenciando o peso econômico e estratégico da agenda.

Antes da viagem, Starmer declarou que o Reino Unido não seria obrigado a “escolher entre” a China e os EUA, sinalizando uma postura diplomática mais pragmática diante de um cenário global em mutação. 

Segundo o Global Times, as relações entre China e Reino Unido devem ser compreendidas a partir de uma perspectiva global, e não apenas sob uma ótica bilateral.

A declaração do premiê britânico reflete o enfraquecimento, inclusive no Ocidente, de estratégias baseadas em alianças rígidas, “pequenos círculos” e confrontos ideológicos entre blocos. Embora o Reino Unido mantenha uma relação histórica próxima com os EUA, a posição de Starmer foi vista por alguns como surpreendente, mas descrita pelo jornal como lógica e coerente diante de dois fatores centrais.

O primeiro deles é a deterioração prolongada das relações sino-britânicas nos últimos anos, marcada por uma política de aproximação e distanciamento que não trouxe os benefícios esperados por Londres. Fontes do próprio governo britânico, citadas no editorial, avaliam que ignorar a China tende a tornar o país “mais pobre e menos seguro”. O segundo fator é a busca crescente, por parte de países ocidentais, por maior previsibilidade em suas relações externas, especialmente diante de um ambiente internacional considerado instável.

Mesmo durante o período descrito como uma “Era do Gelo” nas relações políticas, o comércio entre China e Reino Unido manteve uma trajetória consistente de crescimento. Dados mencionados pelo Global Times indicam que a China deve se tornar o quarto maior parceiro comercial do Reino Unido em 2025, com um volume de intercâmbio estimado em cerca de US$ 137 bilhões. Com uma base de consumidores superior a 1,4 bilhão de pessoas, o mercado chinês é apresentado como um espaço estratégico para a expansão de empresas britânicas, funcionando como um importante motor interno para a retomada do diálogo bilateral.

O editorial insere essa reaproximação em um quadro mais amplo de transformação do sistema internacional. A emergência da China é um sinal claro de uma mudança profunda no cenário global, marcada pelo declínio de uma ordem baseada na hegemonia de uma única potência e pela consolidação de um mundo multipolar. Nesse contexto, a ascensão chinesa é um fator positivo para o conjunto da situação internacional, ao ampliar as possibilidades de cooperação, reduzir dependências assimétricas e estimular relações mais equilibradas, baseadas no multilateralismo, no diálogo e no respeito mútuo.

Sob uma perspectiva de longo prazo, o texto destaca que China e Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e grandes economias globais, compartilham interesses e responsabilidades relevantes na preservação da ordem internacional do pós-guerra e do sistema multilateral de comércio. Passados oito anos desde a última visita de um primeiro-ministro britânico a Pequim, o editorial avalia que o “denominador comum” entre os dois países tornou-se ainda mais evidente.

A melhoria das relações sino-britânicas, segundo o Global Times, não beneficia apenas os dois países, mas também cria condições mais favoráveis para o avanço de um mundo multipolar. Embora existam divergências, o jornal defende que elas podem ser administradas por meio de um diálogo racional, baseado no respeito mútuo e na cooperação pragmática, alertando para o risco de transformar diferenças específicas em confrontos ideológicos.

O movimento britânico também é contextualizado em uma tendência mais ampla. Nos últimos meses, líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo visitaram a China, enquanto o chanceler alemão Friedrich Merz manifestou interesse em realizar a mesma viagem. Para o editorial, essa sequência de visitas demonstra que estratégias de “ignorar” ou “alienar” a China não se mostram viáveis no atual cenário internacional.

A reaproximação de Londres é descrita como uma escolha racional, orientada por interesses nacionais e por uma recalibração da política externa britânica no período pós-Brexit. Antes mesmo da visita oficial, Starmer enviou cinco ministros à China, reforçando a importância atribuída pelo Reino Unido ao intercâmbio de alto nível. O texto sustenta que o país tem plena capacidade e legitimidade para manter relações construtivas com múltiplos parceiros internacionais.

O editorial afirma ainda que a China “nunca representou uma ameaça à segurança ou um obstáculo ao desenvolvimento do Reino Unido” e expressa a expectativa de que a visita contribua para avanços concretos em áreas específicas de cooperação, além de estabelecer um tom pragmático, racional e mutuamente benéfico para o desenvolvimento de longo prazo das relações bilaterais.

Nesse contexto mais amplo, o Global Times cita uma declaração do presidente chinês Xi Jinping, feita durante encontro com o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo. Segundo Xi, “num mundo confrontado por múltiplos riscos e desafios, a comunidade internacional deve unir esforços para responder a essas questões”, acrescentando que os principais países devem dar o exemplo na promoção da igualdade, no respeito ao Estado de direito, na cooperação e na defesa da integridade.

A avaliação final do editorial é que, se China e Reino Unido se mantiverem comprometidos com os princípios do respeito mútuo, da igualdade e da cooperação de benefício recíproco, reconhecendo diferenças e aprofundando a colaboração, poderão promover um desenvolvimento estável e saudável das relações bilaterais, com impactos positivos tanto para suas populações quanto para o equilíbrio do sistema internacional.Visita de Keir Starmer a Pequim simboliza mudança de paradigma internacional e reforça o mundo multipolar

Editorial do Global Times aponta significado internacional da visita do primeiro-ministro britânico a Pequim 

247 - A visita oficial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, à China, entre quarta-feira (28) e sábado, representa um marco relevante na reconfiguração das relações bilaterais entre Pequim e Londres e tem impacto global, assinala editorial do Global Times.

A viagem ocorre em um contexto internacional de profundas transformações geopolíticas e é acompanhada por uma expressiva delegação empresarial, com representantes de mais de 50 grandes empresas e instituições britânicas, evidenciando o peso econômico e estratégico da agenda.

Antes da viagem, Starmer declarou que o Reino Unido não seria obrigado a “escolher entre” a China e os EUA, sinalizando uma postura diplomática mais pragmática diante de um cenário global em mutação. 

Segundo o Global Times, as relações entre China e Reino Unido devem ser compreendidas a partir de uma perspectiva global, e não apenas sob uma ótica bilateral.

A declaração do premiê britânico reflete o enfraquecimento, inclusive no Ocidente, de estratégias baseadas em alianças rígidas, “pequenos círculos” e confrontos ideológicos entre blocos. Embora o Reino Unido mantenha uma relação histórica próxima com os EUA, a posição de Starmer foi vista por alguns como surpreendente, mas descrita pelo jornal como lógica e coerente diante de dois fatores centrais.

O primeiro deles é a deterioração prolongada das relações sino-britânicas nos últimos anos, marcada por uma política de aproximação e distanciamento que não trouxe os benefícios esperados por Londres. Fontes do próprio governo britânico, citadas no editorial, avaliam que ignorar a China tende a tornar o país “mais pobre e menos seguro”. O segundo fator é a busca crescente, por parte de países ocidentais, por maior previsibilidade em suas relações externas, especialmente diante de um ambiente internacional considerado instável.

Mesmo durante o período descrito como uma “Era do Gelo” nas relações políticas, o comércio entre China e Reino Unido manteve uma trajetória consistente de crescimento. Dados mencionados pelo Global Times indicam que a China deve se tornar o quarto maior parceiro comercial do Reino Unido em 2025, com um volume de intercâmbio estimado em cerca de US$ 137 bilhões. Com uma base de consumidores superior a 1,4 bilhão de pessoas, o mercado chinês é apresentado como um espaço estratégico para a expansão de empresas britânicas, funcionando como um importante motor interno para a retomada do diálogo bilateral.

O editorial insere essa reaproximação em um quadro mais amplo de transformação do sistema internacional. A emergência da China é um sinal claro de uma mudança profunda no cenário global, marcada pelo declínio de uma ordem baseada na hegemonia de uma única potência e pela consolidação de um mundo multipolar. Nesse contexto, a ascensão chinesa é um fator positivo para o conjunto da situação internacional, ao ampliar as possibilidades de cooperação, reduzir dependências assimétricas e estimular relações mais equilibradas, baseadas no multilateralismo, no diálogo e no respeito mútuo.

Sob uma perspectiva de longo prazo, o texto destaca que China e Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e grandes economias globais, compartilham interesses e responsabilidades relevantes na preservação da ordem internacional do pós-guerra e do sistema multilateral de comércio. Passados oito anos desde a última visita de um primeiro-ministro britânico a Pequim, o editorial avalia que o “denominador comum” entre os dois países tornou-se ainda mais evidente.

A melhoria das relações sino-britânicas, segundo o Global Times, não beneficia apenas os dois países, mas também cria condições mais favoráveis para o avanço de um mundo multipolar. Embora existam divergências, o jornal defende que elas podem ser administradas por meio de um diálogo racional, baseado no respeito mútuo e na cooperação pragmática, alertando para o risco de transformar diferenças específicas em confrontos ideológicos.

O movimento britânico também é contextualizado em uma tendência mais ampla. Nos últimos meses, líderes como o presidente francês Emmanuel Macron, o primeiro-ministro canadense Mark Carney e o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo visitaram a China, enquanto o chanceler alemão Friedrich Merz manifestou interesse em realizar a mesma viagem. Para o editorial, essa sequência de visitas demonstra que estratégias de “ignorar” ou “alienar” a China não se mostram viáveis no atual cenário internacional.

A reaproximação de Londres é descrita como uma escolha racional, orientada por interesses nacionais e por uma recalibração da política externa britânica no período pós-Brexit. Antes mesmo da visita oficial, Starmer enviou cinco ministros à China, reforçando a importância atribuída pelo Reino Unido ao intercâmbio de alto nível. O texto sustenta que o país tem plena capacidade e legitimidade para manter relações construtivas com múltiplos parceiros internacionais.

O editorial afirma ainda que a China “nunca representou uma ameaça à segurança ou um obstáculo ao desenvolvimento do Reino Unido” e expressa a expectativa de que a visita contribua para avanços concretos em áreas específicas de cooperação, além de estabelecer um tom pragmático, racional e mutuamente benéfico para o desenvolvimento de longo prazo das relações bilaterais.

Nesse contexto mais amplo, o Global Times cita uma declaração do presidente chinês Xi Jinping, feita durante encontro com o primeiro-ministro finlandês Petteri Orpo. Segundo Xi, “num mundo confrontado por múltiplos riscos e desafios, a comunidade internacional deve unir esforços para responder a essas questões”, acrescentando que os principais países devem dar o exemplo na promoção da igualdade, no respeito ao Estado de direito, na cooperação e na defesa da integridade.

A avaliação final do editorial é que, se China e Reino Unido se mantiverem comprometidos com os princípios do respeito mútuo, da igualdade e da cooperação de benefício recíproco, reconhecendo diferenças e aprofundando a colaboração, poderão promover um desenvolvimento estável e saudável das relações bilaterais, com impactos positivos tanto para suas populações quanto para o equilíbrio do sistema internacional.

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