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Xi envia mensagem à cúpula da CELAC e reforça parceria estratégica com América Latina e Caribe

Presidente chinês destaca soberania, desenvolvimento e integração do Sul Global em encontro realizado em Bogotá

Xi Jinping (Foto: Xinhua/Xie Huanchi)

247 – O presidente da China, Xi Jinping, enviou neste sábado uma mensagem de congratulação à 10ª cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), aberta em Bogotá, capital da Colômbia. Na mensagem, Xi ressaltou o papel do bloco na promoção da paz, da estabilidade, do desenvolvimento e da prosperidade na América Latina e no Caribe, além de associar a atuação da CELAC ao fortalecimento da unidade e da cooperação no Sul Global. A informação foi publicada pela agência Xinhua e reproduzida pelo jornal Global Times.

Ao destacar a relevância política da CELAC, Xi afirmou que, desde sua criação, o organismo regional tem se dedicado a impulsionar agendas de integração e desenvolvimento, contribuindo para ampliar a coordenação entre os países latino-americanos e caribenhos. A declaração ocorre em um momento em que a disputa por influência geopolítica na América Latina ganha novo peso, com a China consolidando sua presença diplomática e econômica na região.

Na mensagem, Xi também relembrou a realização, em maio do ano passado, da quarta reunião ministerial do Fórum China-CELAC, realizada em Pequim. Segundo ele, naquele encontro foram lançados, em conjunto com os países da América Latina e do Caribe, cinco programas voltados à solidariedade, ao desenvolvimento, à civilização, à paz e à conectividade entre os povos. De acordo com o presidente chinês, a proposta recebeu resposta positiva dos países da região e passou, ao longo do último ano, por uma implementação gradual e coordenada.

Xi afirmou que a cooperação entre China e os países latino-americanos e caribenhos avançou de forma próxima e consistente nos últimos meses, produzindo, segundo suas palavras, “benefícios tangíveis” para as populações dos dois lados. A formulação reforça a linha diplomática de Pequim de apresentar sua atuação internacional como uma parceria baseada em ganhos mútuos, em contraste com modelos tradicionais de influência externa historicamente impostos ao continente latino-americano.

Um dos pontos centrais da mensagem foi a reafirmação do compromisso chinês com a soberania dos países da região. Xi declarou literalmente que a China “sempre será uma boa amiga e uma boa parceira” dos países da América Latina e do Caribe, e que apoiará essas nações na defesa de seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento. A fala tem forte peso político num contexto internacional marcado por tensões estratégicas, disputas comerciais e pressões sobre países do Sul Global para alinhamentos geopolíticos forçados.

O presidente chinês acrescentou ainda que Pequim está pronta para trabalhar com os países latino-americanos e caribenhos na defesa da justiça e da equidade internacional, bem como na construção de “um novo capítulo” da comunidade China-América Latina e Caribe com futuro compartilhado. A expressão resume uma das principais diretrizes da diplomacia chinesa contemporânea, que busca ampliar alianças multilaterais e consolidar uma arquitetura internacional menos subordinada à hegemonia unipolar.

A mensagem de Xi à CELAC também projeta a América Latina e o Caribe como peças relevantes na reorganização do tabuleiro global. Ao valorizar a CELAC como instrumento de concertação política regional, Pequim sinaliza que vê no bloco não apenas um foro diplomático, mas uma plataforma estratégica para aprofundar relações econômicas, políticas e institucionais com governos da região. Essa aposta ganha ainda mais relevância em meio ao crescimento das agendas de integração soberana e de cooperação Sul-Sul.

A atual presidência rotativa da CELAC está com a Colômbia, país anfitrião da 10ª cúpula. A realização do encontro em Bogotá reforça a centralidade do momento político latino-americano, num cenário em que diferentes governos da região buscam ampliar margens de autonomia internacional, fortalecer mecanismos próprios de coordenação e diversificar parcerias externas. A mensagem enviada por Xi se insere diretamente nesse movimento e indica que a China pretende seguir aprofundando sua presença estratégica na região.

Do ponto de vista diplomático, o gesto de Xi combina simbolismo e pragmatismo. Simbolismo, porque reconhece a CELAC como voz coletiva legítima da América Latina e do Caribe. Pragmatismo, porque reafirma compromissos concretos já anunciados em fóruns bilaterais e multilaterais recentes. Em um mundo marcado por guerras, protecionismo e fragmentação econômica, a ênfase na cooperação, na paz e na conectividade entre os povos aponta para uma estratégia de longo prazo de aproximação política entre a China e os países latino-americanos e caribenhos.

Com isso, a mensagem do líder chinês à 10ª cúpula da CELAC não se limita a uma saudação protocolar. Ela funciona como reafirmação pública de uma aliança em construção, baseada em desenvolvimento compartilhado, respeito à soberania e fortalecimento do Sul Global como ator relevante da política internacional.

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